Na primavera lenta dos números globais, a sombra de uma doença que julgávamos quase vencida ainda aparece em muitos países. Segundo dados de 2024, foram notificados no mundo 172.717 novos casos de lepra, com crianças e mulheres entre os grupos mais atingidos. A realidade surge como uma geada tardia: apesar dos avanços, o calor da atenção e do cuidado precisa voltar a aquecer as regiões onde a doença persiste.
Em véspera do 73.º Dia Mundial da Lepra, celebrado no domingo, 25 de janeiro de 2026, a AIFO (Associação Italiana Amigos de Raoul Follereau Ets) — que há mais de 60 anos caminha ao lado das comunidades afetadas — acende os faróis sobre a importância de unir tratamento, reabilitação e a luta contra o estigma. Na visão sensível de quem observa o cotidiano, o combate à lepra não é apenas uma corrida por medicamentos: é também uma colheita de respeito e reintegração social.
A OMS destaca que o empenho mundial rendeu frutos em muitas áreas: entre os 188 países e territórios que enviaram dados em 2024, 55 relataram zero casos. Ainda assim, o número global de casos detectados — 172.717 — lembra que a jornada está longe do fim. Organizações e parceiros privados mantêm programas de detecção precoce e tratamento; entre eles, farmacêuticas como a Novartis, parceira da OMS desde 2000 no fornecimento de terapias multidrogas gratuitas para pacientes em países onde a lepra é endemicida.
O retrato é composto por rostos e histórias: crianças que precisam de diagnóstico rápido para evitar sequelas, mulheres que enfrentam dupla vulnerabilidade — biológica e social — e comunidades que carregam o peso do preconceito. A AIFO lembra que a oferta de medicamentos é apenas uma raiz — para florescer, é preciso cultivar educação, acesso aos serviços de saúde e políticas que garantam o direito à cura e à dignidade.
Como um jardim que exige cuidado contínuo, a estratégia para reduzir casos e eliminar o isolamento social passa por:
- detecção precoce e redes de referência clínica;
- disponibilização de tratamento gratuito e acompanhamento multidisciplinar;
- programas de reabilitação e inclusão socioeconômica;
- campanhas de informação para desconstruir mitos e o estigma.
Para quem vive a Itália — e para quem observa o mundo com a paixão de quem enxerga as estações do corpo e da cidade — a luta contra a lepra é também uma lição sobre a respiração comunitária: quando uma pessoa é excluída, toda a comunidade participa de um inverno de solidariedade. Recuperar o calor exige ação integrada, sensível e contínua.
A convocação de AIFO neste 25 de janeiro é clara: transformar a denúncia em políticas efetivas, reforçar as parcerias público-privadas e não ceder ao esquecimento. O desafio é antigo, mas a resposta pode ser renovada como a terra após a chuva — com atenção, ciência e compaixão.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia: observando como os ritmos da natureza e as práticas de cuidado tecem a saúde coletiva.





















