A respiração da ciência continua lenta, firme e esperançosa: em 2025 a Europa registou passos decisivos na trajetória de quem convive com doenças raras. Apesar da complexidade diagnóstica e das lacunas assistenciais que ainda marcam o cotidiano de quase 2 milhões de pessoas na Itália, chegam sinais claros de avanço terapêutico.
Segundo dados da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), foram aprovados, ao longo de 2025, 104 novos medicamentos e, entre eles, 16 foram identificados como medicamentos órfãos — fármacos destinados especificamente ao diagnóstico, prevenção e tratamento de patologias raras. Esse movimento confirma que a atenção dos laboratórios e centros de pesquisa está voltada para necessidades até então consideradas periféricas.
O mapa global da investigação revela essa mudança de vento: mais de 30% da pipeline mundial — o conjunto de candidatas a fármacos e terapias em desenvolvimento — está direcionada a doenças raras, totalizando 7.721 projetos. São iniciativas que cultivam a esperança de 350 milhões de pessoas no mundo inteiro, cultivando uma espécie de “colheita” de novos caminhos terapêuticos.
No terreno nacional, a AIFA prossegue o trabalho árduo de avaliação e de facilitar o acesso às terapias inovadoras, um elemento essencial para transformar avanços científicos em benefícios concretos. Nos últimos dias, a Itália determinou a rimborsabilità (reembolso) de dois fármacos inovadores de grande impacto: Duvyzat, indicado para a distrofia muscular de Duchenne, e Carvykti, a primeira terapia CAR-T autorizada para o mieloma múltiplo. Essas decisões representam não só um passo regulatório, mas um ato de cuidado com o tempo interno do corpo das famílias afetadas.
As cifras e as aprovações trazem, entretanto, um lembrete sutil: não basta autorizar; é preciso que o acesso seja equitativo, que a jornada do diagnóstico até o tratamento seja encurtada, e que a assistência territorial acompanhe a inovação. O desafio permanece na integração dos serviços, na formação de profissionais e na redução das desigualdades regionais.
Como um agricultor que conhece o ciclo das estações, o sistema de saúde precisa semear políticas capazes de colher benefícios duradouros. A expansão das possibilidades terapêuticas acende uma luz, mas para muitos pacientes a paisagem cotidiana ainda exige caminhos: atalho no diagnóstico, pontos de apoio na assistência e políticas que priorizem o acesso a medicamentos essenciais.
Para quem vive de perto a realidade das doenças raras, cada aprovação é uma promessa; para a comunidade científica, é a confirmação de que a pesquisa é uma maré que eleva embarcações antes isoladas. E para nós — cidadãos, cuidadores e profissionais — resta cultivar atenção, empatia e políticas que acompanhem essa maré, garantindo que a inovação chegue como rito de cuidado e não apenas como notícia.






















