O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto determinando a maior mobilização militar da Rússia desde 2011, convocando 160 mil homens com idade entre 18 e 30 anos para o alistamento obrigatório nas Forças Armadas. O processo de incorporação ocorrerá entre 1º de abril e 15 de julho, refletindo uma tentativa do Kremlin de reforçar suas fileiras militares em meio às tensões crescentes com o Ocidente.
Aumento do Contingente e o Contexto Geopolítico
Com esse alistamento em massa, Putin busca expandir o contingente militar russo para 2,4 milhões de soldados, incluindo 1,5 milhão na ativa. A justificativa oficial do Ministério da Defesa é a necessidade de responder às “ameaças crescentes” representadas pelo conflito na Ucrânia e pela expansão da Otan, que recentemente acolheu Finlândia e Suécia como membros.
Enquanto isso, os Estados Unidos continuam pressionando por um cessar-fogo na Ucrânia, argumentando que a escalada militar apenas prolonga o conflito e agrava a crise humanitária. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, acusa Moscou de prolongar deliberadamente as negociações de paz para ganhar tempo e avançar no território ucraniano.
Kremlin Nega Ligação com a Guerra na Ucrânia
O governo russo insiste que a nova convocatória não tem relação direta com a guerra na Ucrânia e reitera que os recrutas não serão enviados ao front. Entretanto, a Ucrânia alega já ter capturado recrutas russos em combate, e o próprio Putin admitiu anteriormente que alguns foram enviados ao campo de batalha “por engano”.
Desde 2022, a Rússia tem recorrido a estratégias alternativas para reforçar seu exército, incluindo a mobilização de mais de 300 mil reservistas e o recrutamento de soldados contratados, inclusive estrangeiros, atraídos por salários elevados e incentivos financeiros.
Repercussões e Consequências
A mobilização massiva de 2022 gerou uma onda de fuga de centenas de milhares de homens da Rússia, temendo serem enviados ao conflito. Apesar disso, o Kremlin continua ampliando suas forças militares, apostando cada vez mais em soldados profissionais e contratos de curta duração.
Segundo estimativas ocidentais, a Rússia teria perdido mais de 100 mil soldados na guerra. Por outro lado, Zelenski declarou em fevereiro que a Ucrânia perdeu cerca de 46 mil combatentes desde o início do conflito.
Diante desse cenário, a nova onda de alistamento levanta questões sobre até que ponto o governo russo está disposto a prolongar a guerra e sobre os desafios internos que pode enfrentar ao forçar mais cidadãos ao serviço militar.