Por Stella Ferrari — Em entrevista ao Corriere della Sera, a cantora Rita Pavone fala sobre sua nova canção para o Carnevale di Viareggio, a longevidade do casamento com Teddy Reno e faz observações sobre figuras públicas como Greta Thunberg e Giorgia Meloni. Com a voz de quem navega entre cultura e mercado, Pavone combina memórias pessoais e julgamentos públicos com a precisão de uma calibragem de política cultural.
A canção, intitulada ‘Nel febbraio di un mattino’, é assinada pelo filho da artista, Giorgio Merk. ‘Para o texto, usei palavras-chave vinculadas ao espírito do Carnevale di Viareggio. À noite mantenho o telefone ao lado: se surge uma ideia, registro na hora’, contou.
Sobre a vida pessoal, Rita Pavone celebra quase 58 anos de união com Teddy Reno. ‘Refutamos boatos de que nosso casamento duraria o tempo de uma música. Compartilhamos um modo de viver, viajamos, rimos muito — e continuamos a rir’, disse, em tom à prova de especulações. Ela descreve o marido como ‘muito bem’, ainda que às vezes ‘um pouco confuso’ e com lapsos de memória; mesmo assim, há ternura nos gestos: se encontra alguém, ele canta ‘Night and Day’. Recentemente, Gerry Scotti teria enviado cumprimentos a partir da set de La Ruota della Fortuna, gesto que deixou Reno visivelmente contente.
A discussão segue para o campo político, onde a artista voltou a comentar declarações passadas. Em relação a Greta Thunberg, Pavone admitiu o erro: ‘Quando chamei Greta de personagem de filme de horror, pedi desculpas imediatamente. Não sabia que ela tinha diagnosticado o Asperger. Foi um erro’. No entanto, acrescentou uma crítica: ‘Vejo que agora de erros ela comete muitos’.
Sobre Giorgia Meloni, a avaliação foi direta e, em tom técnico, funcional, quase como um analista avaliando o desempenho de um motor político: ‘Gosto dela porque é direta. Não sou de direita, sou liberal. Quando alguém faz ou diz algo acertado, não tenho problema em reconhecer, independentemente da cor política’. Pavone lamenta a perda de civilidade que imperava nas discussões públicas: ‘Não são mais os tempos da Tribuna politica, quando Pietro Nenni não hesitava em reconhecer quando o adversário havia dito algo justo’.
O posicionamento de Rita Pavone mistura diplomacia pessoal e clareza adulta sobre a cena pública. A artista, com sua trajetória, age como um veículo de memória cultural e, ao mesmo tempo, como uma lente crítica sobre os rumos do discurso político atual — sem recorrer a freios morais fáceis, mas propondo um retorno ao reconhecimento da razão alheia quando justificada.
Em suma, entre novo trabalho musical, afeto de longa data e comentários políticos, Pavone demonstra que a experiência pessoal continua a modular seu julgamento público: uma calibragem entre emoção e cálculo, como a afinação fina de um motor que precisa tanto de potência quanto de equilíbrio.






















