Por Giulliano Martini — Há um compromisso formal para garantir o futuro do Sliding Centre de Cortina, conhecido como pista Eugenio Monti. Uma box de acordo de programa entre sete atores institucionais traça a estratégia de gestão e utilização do equipamento após as Olimpíadas, com ênfase em treinos, competições e atividades turísticas.
Os signatários do documento são: a Região, o Comune (proprietário da infraestrutura), as Províncias de Belluno, Trento e Bolzano, a Fondazione Cortina e a FISI (federazione degli sport invernali). O acordo tem duração de cinco anos e distribui responsabilidades entre os parceiros: a federazione compromete-se a aportar os recursos financeiros necessários, enquanto Regione e Comune ficam encarregados do coordenação.
O objetivo declarado é múltiplo: transformar a pista em referência para competições nacionais e internacionais, atrair delegações para treinamentos, ampliar a base de praticantes dos esportes de deslize e abrir espaços para usos lúdicos e turísticos que contribuam para a sustentabilidade econômica do complexo. A estratégia explícita evita que a instalação siga o mesmo caminho da pista de Turim, construída para os Jogos de 2006 e abandonada anos depois.
Trata-se de uma obra que polariza avaliações técnicas e políticas: o Eugenio Monti foi erguido sobre a área da antiga pista de bob — um projeto de engenharia significativo e alvo de controvérsias locais — e agora precisa justificar o investimento por meio de utilização contínua. Por ser uma infraestrutura de grande porte, com exigências de manutenção permanentes, a viabilidade financeira depende diretamente do aumento de uso e de fluxos regulares de atletas e eventos.
O processo de planejamento remonta à candidatura: a primeira carta di intenti data de março de 2019. Em 2024 o Comune elaborou um plano econômico-financeiro para avaliar equilíbrio e sustentabilidade; em 2025 a consultoria KPMG fez a análise técnica desse plano. A box de acordo é, na prática, a etapa seguinte para operacionalizar as recomendações e distribuir obrigações entre os sete entes envolvidos.
Além do aspecto econômico, há um componente simbólico e social: a pista entra no rol de legados olímpicos que exigem governança compartilhada para evitar a deterioração de ativos públicos. Em reportagens locais foram destacados os 300 operai que trabalharam na construção, e relatos sobre a rotina de manutenção — um trabalho de precisão para formar e conservar o gelo curva a curva.
Em linhas práticas, a governança prevista aponta para: (1) programas de atração de competições internacionais; (2) convênios com federações estrangeiras que não dispõem de pistas próprias; (3) uso para estágios e campos de treino fora dos calendários competitivos; (4) propostas de experiência turística e educativa para ampliar receitas. Cabe aos firmatários transformar esse plano em calendário de eventos e indicadores de desempenho ao longo dos cinco anos.
O pacto é, em essência, uma aposta técnica e administrativa para que o Sliding Centre de Cortina deixe de ser apenas uma obra olímpica e se torne uma estrutura ativa, financeiramente sustentável e alinhada com as necessidades das federazioni e do turismo esportivo europeu.






















