Enrico Nigiotti descreve a preparação para o Festival de Sanremo com objetividade e foco. «Sinto-me como corredores nos blocos de partida: há um mês e meio estou à espera do tiro de partida», diz o cantor e compositor livornês, em um depoimento direto que revela a disciplina que adotou antes de subir ao palco do Ariston.
O artista, autor que já compôs para nomes como Gianluca Grignani, Gianna Nannini, Laura Pausini e Eros Ramazzotti, retorna ao festival com a canção Ogni volta che non so volare, faixa de abertura do próximo disco Maledetti Innamorati, previsto para lançamento em 13 de março. A canção serve como porta de entrada para o novo ciclo artístico de Nigiotti e antecipa o tom do álbum.
Ao relatar a rotina de preparação, Nigiotti enfatiza que adotou dieta e treino diário: «Me coloquei de dieta e comecei a treinar todos os dias: quando você emagrece, corpo e mente funcionam melhor, fica mais concentrado». Desde dezembro ele vem praticando o número com fones e microfone para automatizar a execução: «Mesmo tendo escrito o texto, quis aprender a canção de forma mecânica; quando você desce as escadas do Ariston, é preciso deixar a emoção seguir seu curso».
É a quarta participação do cantor no palco do festival. Sobre rituais, ele assume comportamento prático mais do que supersticioso: «Não sou supersticioso. Mas, antes de subir, faço xixi de forma obsessiva». A observação traduz a tentativa de controlar variáveis físicas para reduzir o impacto da tensão em um ambiente que, diz ele, «se você vive bem, te leva a uma viagem belíssima; caso contrário, torna-se um pesadelo».
Ogni volta che non so volare representa, segundo o próprio, uma virada. «É uma canção apripista, porque antecipa o novo álbum, e faz entrar em uma nova sala de Enrico Nigiotti, que mudou — como homem e artista — com o nascimento de Maso e Duccio». A paternidade aparece como fator determinante na transformação criativa: longe de tolher a inspiração, ela ampliou a sensibilidade do músico. «Muitos me diziam que, ao formar família, seria mais difícil escrever. Em vez disso, a paternidade me tornou mais sensível: não mais bonzinho, mas apto a ver mais nuances de uma mesma cor e ter mais palavras para descrever algo».
O disco, apontado como seu sexto trabalho, resulta de dois anos de elaboração e viagens entre Livorno e Milão. Nigiotti descreve-o como um conjunto de emoções contrastantes: a melancolia de deixar a casa à beira-mar e a alegria de retornar e reencontrar a família. Essa tensão entre partida e retorno, entre o palco e a intimidade familiar, estrutura a narrativa do álbum.
Com a turnê teatral recém-encerrada, o cantor concentra esforços em apresentar a nova canção no festival e conquistar tanto quem já o conhece quanto público que ainda não o acompanhou. A meta: «incuriosire chi non mi conosce e convincere il pubblico a stare nel mio mondo musicale» — traduzida na prática em disciplina, ensaio contínuo e controle emocional.
Nos termos de apuração, os fatos aqui reunidos resultam do cruzamento das declarações públicas do artista e do calendário oficial de lançamento do disco. A leitura que Nigiotti faz da experiência em Sanremo é pragmática: trata-se de um palco singular, cujo impacto depende de como o artista o vive. O resto será julgado pela plateia e pelas notas, essa realidade traduzida sem rodeios.





















