Em audiência geral realizada nesta quarta-feira na Praça de São Pedro, Papa Leone XIV voltou a enfatizar a natureza penitencial e transformadora da Quaresma. O Pontífice chegou em papamobile para saudar os fiéis após a pausa do inverno, período em que o encontro se realizava na Aula Paolo VI (Sala Nervi). A transferência de volta à praça foi justificada pela maior capacidade de acolhimento: na semana anterior, mais de sete mil pessoas preencheram a Sala Nervi, e muitas permaneceram no átrio.
No dia em que a Igreja celebra a Quarta‑feira de Cinzas, início do tempo litúrgico que prepara para a Páscoa, o Papa destinou parte de sua catequese a um apelo direto: viver a Quaresma não apenas por práticas externas, mas por uma conversão concreta do comportamento. “Peço ao Senhor que nos ajude a acolher com coração aberto as graças que Ele quer nos doar neste tempo de Quaresma, para que produzam frutos abundantes de salvação para nós e para os irmãos”, disse o Pontífice aos peregrinos presentes.
Entre as orientações centrais, o Papa salientou a necessidade de digiunar de gestos e comentários que ferem os outros e nos afastam do “Coração misericordioso” de Deus. Essa chamada, proferida em linguagem direta e sem ambiguidades, convidou os fiéis a transformar a prática do jejum em exercício ético e comunitário — não apenas como privação alimentar, mas como disciplina para cortar atitudes que prejudicam o próximo.
“No início da Quaresma, exorto-vos a viver com intenso espírito de oração este tempo litúrgico, para chegar interiormente renovados à celebração do grande mistério da Páscoa de Cristo, revelação suprema do amor misericordioso de Deus”, concluiu o Papa ao se dirigir em língua italiana aos presentes em São Pedro.
Em seguida, durante audiência com os membros da associação Pro Petri Sede, Papa Leone XIV reiterou outra dimensão do seu ministério: a missão do Bispo de Roma de reunir o povo fiel e anunciar o Evangelho. O Pontífice afirmou que o carisma dos seus sucessores implica a liberdade soberana para exercer essa missão. “O anúncio do Reino é obstado em muitos lugares e por muitas vias”, advertiu, sublinhando a importância de que ‘Pedro’ mantenha sua total liberdade para dizer a verdade, denunciar a injustiça, defender os direitos dos mais fracos, promover a paz e, sobretudo, anunciar Jesus Cristo morto e ressuscitado — único horizonte possível para uma humanidade reconciliada”.
O retorno da audiência à Praça de São Pedro marcou não só uma solução logística para a grande afluência de fiéis, mas também uma visibilidade pública maior para as exortações do Pontífice nesta data simbólica do calendário católico. Em linguagem de apuração direta e cruzamento de declarações, o Papa ligou a urgência da conversão pessoal à necessidade coletiva de liberdade moral e institucional para proclamar a mensagem cristã em tempos conturbados.
Relato assinado: Giulliano Martini, correspondente — apuração em Roma com checagem das falas oficiais do Vaticano e observação presencial.






















