Apuração in loco e cruzamento de fontes: em pronunciamento durante o Angelus, o Papa afirmou que, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, será concluído o Jubileu da esperança, ligado ao mistério do Natal que, segundo ele, fundamenta a nossa confiança na encarnação.
O Pontífice destacou que a esperança cristã “não se apoia em previsões otimistas ou em cálculos humanos, mas na escolha de Deus de compartilhar o nosso percurso, para que nunca estejamos sozinhos na travessia da vida”. Na sua exposição, o Papa reiterou que “esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele fez-se um de nós, quis permanecer conosco, quis ser para sempre o Deus-con-nosco”.
O Santo Padre sublinhou que não se trata de um Deus distante, mas de um Deus próximo que habita a nossa terra frágil e se manifesta no rosto dos irmãos e nas situações do dia a dia. “Se Ele se fez carne, se escolheu a nossa fragilidade humana como morada, então somos sempre chamados a repensar Deus a partir da carne de Jesus e não a partir de uma doutrina abstrata”, afirmou.
Em seguida, o Papa apontou o imperativo ético decorrente dessa lógica da encarnação: se Deus se tornou um de nós, cada ser humano carrega a sua imagem e a centelha de sua luz. Isso obriga a reconhecer em toda pessoa uma dignidade inviolável e a praticar o amor recíproco. “A encarnação nos exige também um compromisso concreto pela promoção da fraternidade e da comunhão, para que a solidariedade seja o critério das relações humanas, pela justiça e pela paz, pelo cuidado dos mais frágeis e pela defesa dos mais vulneráveis”, declarou.
Com tom de preocupação, o Papa mencionou a situação na Venezuela. Ele pediu que o bem do amado povo venezuelano prevaleça acima de qualquer outra consideração, incentivando a superação da violência e a busca de caminhos de justiça e paz. O Pontífice pediu explicitamente que se garanta a soberania do país e que se assegure o estado de direito inscrito na Constituição, com respeito aos direitos humanos e civis de todos, trabalhando para construir um futuro de colaboração, estabilidade e concórdia, com atenção especial aos mais pobres afetados pela difícil situação econômica.
O Papa também dirigiu uma palavra aos atingidos pela tragédia ocorrida em Crans-Montana, na Suíça. Ele expressou proximidade às vítimas e às famílias, assegurando a sua oração «pelos jovens falecidos, pelos feridos e pelos seus familiares».
Na linha do jornalismo de precisão que guia esta apuração, o pronunciamento do Pontífice combina reflexão teológica — em torno da incarnação e da centralidade da esperança cristã — e advertência prática sobre responsabilidades políticas e sociais em contextos de crise, como o vivido pela Venezuela. As mensagens apontam para a convergência entre fé e ação: culto a Deus e cuidado da carne humana são, para o Vaticano, indissociáveis.































