Em recitação do Angelus nesta solenidade da Epifania, o Papa renovou um apelo direto pela paz e pela esperança ativada no cotidiano. Citando o gesto dos Magos que se ajoelharam diante do Menino de Belém, o Pontífice disse que esse ato é também a nossa confissão de ter encontrado a verdadeira humanidade, onde “resplandece a glória de Deus”.
“Em Jesus apareceu a vida verdadeira, o homem vivo, isto é, não existir por si mesmo, mas aberto e em comunhão”, afirmou o Papa ao introduzir a oração dominical. O discurso prosseguiu com ênfase no caráter libertador da presença divina: “A vida divina está ao nosso alcance, manifestou‑se para nos envolver num dinamismo que dissolve medos e nos faz encontrar na paz”.
O Papa recordou o significado da palavra “Epifania”: manifestação. “A nossa alegria nasce de um Mistério que já não está oculto. A vida de Deus se revelou — por vezes e de modos diversos, mas com clareza definitiva em Jesus — de modo que agora sabemos, mesmo em meio a tribulações, que podemos esperar“.
Repetindo a síntese teológica que marcou sua intervenção, o Pontífice disse: “‘Deus salva’: não tem outra intenção, nem outro nome. Vem de Deus e é epifania de Deus apenas aquilo que liberta e salva”.
Voltando-se às implicações práticas da fé, o Papa convidou os fiéis a tornarem‑se “artesãos da paz“. “A esperança que anunciamos deve ter os pés no chão: vem do céu, mas para gerar, aqui embaixo, uma história nova”, advertiu. O apelo pastoral foi explícito e concreto: que “os estranhos e os adversários se tornem irmãos e irmãs; no lugar das desigualdades haja equidade; em vez da indústria da guerra afirme‑se o artesanato da paz“.
O Papa conclamou a comunidade a assumir a tarefa cotidiana de construir esperança: “Tecelões de esperança, sigamos em frente por outro caminho”. Em tom de diagnóstico e orientação, a mensagem traça uma linha clara entre estruturas que alimentam conflito e iniciativas humildes, comunitárias, capazes de transformar realidades.
Esta intervenção, pronunciada na sequência das festas natalinas e da Epifania, reafirma o perfil do Pontífice como voz permanente por soluções não violentas e por políticas que priorizem a reconciliação social e a justiça. A formulação — que contrapõe a “indústria da guerra” ao “artesanato da paz” — serve tanto como metáfora quanto como convocação de políticas públicas e práticas civis.
Apuração e checagem: declaração proferida durante a recitação do Angelus; citações traduzidas do discurso oficial. A realidade traduzida aqui é a do pronunciamento público do Pontífice, sem interpolação de interpretações improvisadas.































