Roberto Vannacci depositou no dia 24 de janeiro, junto ao European Union Intellectual Property Office, o logotipo com fundo azul e faixa tricolor assinalado pela inscrição Futuro Nazionale em branco, com seu sobrenome em amarelo por cima. A movimentação, visível no banco de dados europeu, reacende um debate interno já sensível na Lega.
“É só um símbolo”, resumiu o próprio Vannacci ao ser questionado sobre o registro. Mas, no jogo político, símbolos são tijolos na construção de projetos: podem servir tanto para selar uma permanência quanto para alicerçar uma ruptura.
Enquanto isso, as comissões de Relações Exteriores e Defesa de Montecitorio foram convocadas para esta manhã às 8h30, com expectativa de dar o aval definitivo ao dl Ucraina, que depois seguirá para votação no plenário da Câmara prevista entre 9 e 13 de fevereiro. Um semáforo verde na comissão é considerado provável, inclusive porque já foi aprovado um emenda da maioria que elimina a palavra “militares” do título do texto e inclui meios de difesa civile na lista de ajudas que a Itália pode enviar a Kiev.
No interior da Lega, entretanto, a tensão persiste. Dois deputados próximos ao general Vannacci votaram, em 15 de janeiro, contra a resolução de maioria que prorrogava o envio de armi all’Ucraina. Segundo apurou a AGI, o próximo passo possível seria a apresentação de emendas em Plenário para tentar excluir do artigo 1º a prorrogação do apoio militar a Kiev. Se o governo optar por submeter o texto à questão de confiança, o plano B do grupo dissidente seria a apresentação de ordens do dia.
Fontes internas avaliam que o dissenso pode crescer, mas minimizam um racha imediato. “Se dois ou três se afastam, não significa que haja um rasgo no grupo”, disse um dirigente da via Bellerio. Do lado de Vannacci, já há a promessa de relançar um apelo por uma real “discontinuità” na linha do partido.
Circulou também a notícia — desmentida por fontes do partido — de um telefonema do ex-governador do Vêneto Luca Zaia a Salvini pedindo a expulsão de Vannacci. A direção da Lega informa que não houve tal contato. O encontro entre Vannacci e Salvini está marcado para o final da semana ou início da próxima.
O registro da marca Futuro Nazionale foi interpretado por observadores como uma possível base para um novo veículo político caso o rompimento se concretize. Vannacci negou decisões irrevogáveis: segundo relatos, está em negociações para permanecer na sigla e exige garantias — postura que ilustra bem a ponte tênue entre lealdade e alternativa partidária. “Mai dire mai”, declarou recentemente o general.
O episódio ocorre após a recente convenção na Abruzzo, em que Matteo Salvini reuniu dirigentes e ministros. O encontro abriu um debate interno: alguns setores reprovaram a presença de Francesca Pascale, ex-companheira de Silvio Berlusconi, e pediram confrontos internos sobre prioridades como direitos e segurança. Em suma, a arquitetura do partido passa por ajustes: há tensão entre a necessidade de unidade e a vontade de redefinir os alicerces políticos.
Enquanto as decisões sobre o dl Ucraina avançam pelos trâmites parlamentares, o registro do novo símbolo mantém acesa a hipótese de recomposição do mapa partidário italiano. A situação pede atenção: estamos diante de uma disputa onde o peso da caneta e a força simbólica se cruzam, e onde cada movimento burocrático pode reconstruir — ou derrubar — pontes dentro do campo conservador.


















