Por Giuseppe Borgo — Em um movimento que junta a rotina política às luzes do show, o general Roberto Vannacci, líder do partido Futuro Nazionale, confirmou à Espresso Italia sua presença em Sanremo. Segundo apurado, Vannacci chega à cidade dos flores já no dia 26 de fevereiro e deverá assistir ao Festival na noite de 27, quando acontece a sessão dos duelos entre os artistas concorrentes.
“Sou convidado e estarei na plateia para ver o espetáculo”, disse Vannacci à agência. Além da participação como espectador, sua passagem por Sanremo terá também agenda política: encontros previstos no âmbito da Região Liguria para tratar de temas locais e de articulação partidária. Trata-se do primeiro líder político a confirmar presença pública na kermesse musical nesta edição.
O episódio chega num momento em que o Festival foi centro de controvérsia política. Nas últimas semanas, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, desmentiu informações que a colocavam na abertura de Sanremo. Em post nas redes, Meloni afirmou que a notícia era “totalmente inventada”, lembrando que tanto Palazzo Chigi quanto o próprio Carlo Conti já haviam negado a participação.
Em tom crítico e com ironia contida, a premiê chegou a observar que o chamado “FantaSanremo” é um entretenimento para fãs, enquanto notícias públicas deveriam permanecer ancoradas na realidade. “Enquanto isso, eu continuo a fazer o meu trabalho”, escreveu, sublinhando que o Festival “saberá brilhar sem hóspedes imaginários” e que não é preciso forçar a política dentro da maior festa da música italiana.
Sobre este pano de fundo, o diretor artístico Carlo Conti também reagiu às especulações. Na conferência inaugural, Conti defendeu sua independência editorial: lembrou que já foi acusado no passado de ligações políticas — primeiro com Renzi, depois com a chamada “melonianidade” — e reafirmou seu papel de apresentador. “Eu sou um homem livre”, disse, lembrando que seu ofício, na televisão, tem muito de ser um “giullare” — um brincante que atua sem coação política.
A tensão com a política foi amplificada ainda pelo caso do comediante Andrea Pucci, que havia recuado de uma participação, motivando perguntas sobre pressões externas. Conti negou ter recebido ordens ou interferências para convidar ou evitar artistas: descreveu as alegações sobre um suposto convite a Meloni como “fantascienza pura” e sublinhou preferir que se critique sua competência profissional do que imputar-lhe falta de autonomia.
No balanço, a presença de Roberto Vannacci em Sanremo funciona como mais uma peça na construção de uma narrativa pública em que política e espetáculo se cruzam — uma ponte entre decisões tomadas em Roma e o palco onde a cultura nacional se apresenta. Para o observador atento, resta acompanhar se a visita será apenas protocolo ou se gerará novos debates políticos no calor do Festival.





















