05 de fevereiro de 2026 — De Bologna. Em mais um capítulo da reconfiguração da direita italiana, o general Domenico Vannacci oficializou sua saída da Lega e rebateu, com críticas duras e diretas, o líder do partido, Matteo Salvini. O rompimento marca o nascimento do novo movimento Futuro Nazionale, que o ex-militar apresenta como “a verdadeira direita”, e volta a expor uma tensão antiga entre palavra e voto dentro da coalizão que governa.
Questionado sobre as acusações de deslealdade feitas por Salvini, Vannacci devolveu a crítica: “Eu desleal? É Matteo Salvini, ou melhor o seu partido, que continua a promover certas ideias no discurso e, na hora da votação, segue por outro caminho”. A metáfora é explícita: muito barulho retórico, pouco alicerce prático. “Ele fala muito, mas quando chega o momento do peso da caneta, ele se curva e se coloca em posição prona dentro da coalizão”, resumiu.
O general ampliou o ataque para vários pontos sensíveis da agenda política: da posicionamento sobre as armas à Ucrânia aos princípios de família, passando pela tão debatida lei Fornero. No caso da reforma da previdência, Vannacci acusou Salvini de traição: “Por anos disse que a lei Fornero devia ser demolida; hoje se alia a forças que a mantêm. Isso é abandonar um compromisso com os eleitores”.
A saída não é tratada por ele como uma fuga, mas como um “rasgo necessário” para preservar coerência ideológica. “Meus princípios e meus valores permanecem inalterados. Não abro mão da minha identidade por um compromisso ou um inciucio”, afirmou ao anunciar o Futuro Nazionale, partido que promete recuperar uma “direita verdadeira” — fórmula que busca redesenhar os contornos entre conservadorismo e nacionalismo.
Em Milão, uma voz conhecida ligada ao novo movimento, a empresária e ex-modelo Sylvie Lubamba, comentou a saída e a polêmica: “Não foi a escolha mais fácil para ele, mas estarei ao seu lado”. A declaração, dada em entrevista a Geppi Cucciari e Giorgio Lauro, sinaliza a tentativa de composição de um núcleo mobilizador ao redor do general.
O episódio expõe, em termos práticos, como a arquitetura partidária italiana continua a sofrer ajustes — e como esses ajustes repercutem na vida cotidiana dos cidadãos. Para eleitores que depositaram confiança em promessas sobre reforma previdenciária, segurança e família, a aprendizagem imediata é dupla: a necessidade de fiscalizar decisões e a fragilidade dos compromissos públicos quando submetidos ao cálculo da coalizão.
Do ponto de vista institucional, a saída de Vannacci é uma peça a mais na construção de novos corredores políticos, mas também um alerta sobre as fundações: quanto do discurso se sustenta quando confrontado com o peso das votações? Quanto as promessas se traduzem em alicerces concretos para a cidadania? Essas perguntas orientam agora o debate sobre o Futuro Nazionale e o papel que ele pretende ocupar na cena direita-esquerda do país.
Como correspondente que observa a interseção entre decisões de Roma e o cotidiano dos cidadãos, considero este movimento um convite à supervisão: partidos vêm e vão, declarações inflam e se apagam, mas são os direitos e as expectativas das pessoas — a verdadeira obra em construção — que devem ditar a prioridade. A política, para ser sólida, precisa de consistência; sem ela, erguem-se apenas fachadas.
Reportagem de Giuseppe Borgo — La Via Italia. Rigor acessível para traduzir os alicerces do poder em informação útil aos cidadãos e imigrantes ítalo-descendentes.






















