Em tom direto e com foco na concretude dos resultados, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmou nesta sexta-feira, à margem do evento do Forza Italia “Valori, più libertà, più giustizia” realizado no hotel Ergife, em Roma, que caso o ex-presidente americano Donald Trump consiga efetivar um acordo entre Ucrânia e Rússia, terá direito ao Nobel da Paz.
“Pode ser mais ou menos simpático, mas isso é um dado. Se alcança o objetivo, será um dado incontroverso”, declarou Tajani, reforçando a ideia de que o reconhecimento deve seguir o peso concreto dos resultados e não apenas avaliações pessoais. A assertiva coloca em evidência a lógica da “arquitetura do voto” e da responsabilidade diplomática: o valor de uma presidência, segundo o chanceler, mede-se pelo efeito real na construção da paz, pelos alicerces que se conseguem assentar nas relações internacionais.
As declarações de Tajani ecoam comentário anterior da primeira-ministra Giorgia Meloni. Em encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, Meloni disse: “Espero que um dia possamos dar o Nobel da Paz a Donald Trump“. A premiê justificou a expectativa lembrando que Trump teria, segundo ela, papel relevante em mediar o cessar-fogo entre Israel e o movimento Hamas — e que, se posteriormente favorecer um cessar-fogo ou acordo duradouro entre Ucrânia e Rússia, tal reconhecimento seria também merecido.
No centro do debate está, portanto, a noção de que a política externa se constrói como uma ponte entre nações: decisões e acordos que derrubam barreiras burocráticas e militares criam as condições para recompensas simbólicas e institucionais. “Se consegue fazer fechar o acordo entre Ucrânia e Rússia, depois de ter levado ao cessar-fogo israelenses e Hamas, pode ter o Prêmio Nobel. Me parece um reconhecimento justo se ele conseguir esse intento”, disse Meloni, reproduzindo a sequência lógica que depois foi subscrita por Tajani.
As observações não ficaram sem contestação. Palavras nesse sentido reabriram imediatamente o debate político e provocaram reações da oposição, que questionou tanto o oportunismo da sugestão quanto a antecipação de um prêmio que é decisão exclusiva do Comitê Nobel norueguês. Ainda assim, para membros da maioria, a proposta está assentada na ideia de que o peso da caneta — ou seja, a capacidade de obter acordos de paz — é o critério chave.
Como repórter atento à interseção entre decisões em Roma e vida cotidiana dos cidadãos e imigrantes, observo que a proposta de reconhecer com o Nobel da Paz um ator externo traduz uma busca por estabilidade internacional que impacta diretamente direitos e segurança na Europa. O reconhecimento, se acontecesse, seria consequência de obras diplomáticas que levantam alicerces de convivência e reduzem o custo humano dos conflitos.
O cenário segue aberto: resta saber se as negociações que envolvem Washington e Moscou terão força suficiente para transformar intenção em resultado — e, nesse caso, se as agências e comitês competentes validarão a indicação. Até lá, a campanha por reconhecimento e as reações políticas seguem parte da construção pública de uma possível paz.





















