Por Giuseppe Borgo — La Via Italia
Em uma sessão informativa no Senado, o Ministro das Relações Exteriores apresentou ontem um quadro que mistura dor nacional e nova geopolítica. Antonio Tajani descreveu a tragédia de Crans-Montana como “um colpo al cuore” que deixou uma cicatriz no país e defendeu que a Itália se constitua parte civil no processo judicial relacionado à morte de seis jovens italianos.
Tajani destacou que foram constatados “comportamentos de negligenza evidentes” e sublinhou o papel ativo do pessoal diplomático nas horas seguintes ao ocorrido. Segundo o ministro, toda a equipe nas representações em Berna e no consulado em Genebra prestou assistência humana e imediata às famílias que não sabiam o destino dos filhos. “Nesses momentos eu me senti orgulhoso de liderar uma diplomacia que mostrou grande senso de humanidade”, afirmou.
Do drama suíço, o discurso deslocou-se para um terreno geopolítico que promete redefinir relações: o Venezuela. À luz da captura de Nicolás Maduro, Tajani falou como quem lê as pedras de alicerce de uma nova arquitetura internacional — e fez previsões que soaram como um apelo à ação coordenada. Para ele, a queda do líder venezuelano representa uma “ocasião storica” e abre espaço para que empresas italianas, já conhecedoras do mercado local, desempenhem papel central na reconstrução econômica.
O ministro citou explicitamente o setor energético e a ENI, lembrando a recente participação em encontro em Washington, além de áreas essenciais como água e infraestruturas. Tajani anunciou também que a nossa Cooperazione allo Sviluppo recebeu mandato para lançar iniciativas técnicas e econômicas imediatas — com prioridade para o setor sanitário — em coordenação com organizações civis e com a Igreja local. Ele afirmou ter tratado o tema pessoalmente com o arcebispo Biord.
No plano consular, houve notícias positivas: a libertação de Alberto Trentini e de outros conacionais foi celebrada como um passo importante. Ainda assim, Tajani foi preciso: permanecem nos cárceres venezuelanos 42 detidos com ligação italo-venezuelana, dos quais 24 são tidos como presos políticos. A meta anunciada pelo governo é clara — trabalhar para que todos retornem ao país.
Sobre a postura internacional, Tajani alinhou-se aos Estados Unidos na leitura do fim de um ciclo marcado por opressão. Ao mesmo tempo, pediu que se abra “uma fase nova” por meio de um “partenariato positivo” com as autoridades locais, mencionando Delcy Rodríguez como interlocutora no processo de transição.
Além dos dois dossiers centrais, o ministro tocou em outros temas (Irã, Groenlândia), recortando uma visão em que a diplomacia italiana tenta construir pontes e remover barreiras burocráticas para proteger cidadãos e interesses nacionais. Como repórter atento à interseção entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, registro que essas iniciativas não são apenas gestos protocolares: são a base para a reconstrução de direitos — uma verdadeira obra de engenharia social que exige vigilância e transparência.
O pronunciamento de Tajani será agora objeto de debates nos próximos dias no Parlamento, onde se avaliará o enquadramento jurídico para a constituição de parte civil e os passos práticos de assistência aos nossos conterrâneos no exterior.
O que muda para o cidadão comum? Em primeiro lugar, a afirmação de que o Estado pretende agir como parte civil é um sinal de reconhecimento do dano coletivo — não apenas das famílias afetadas. Em segundo, a projeção de uma política ativa no Venezuela indica que haverá oportunidades e responsabilidades para empresas, ONGs e organizações religiosas que atuam como ponte entre nações.
Segue a íntegra do pronunciamento e as próximas imagens e documentos oficiais que o Ministério divulgará. Continuarei acompanhando, com o mesmo rigor acessível que orienta nosso trabalho, os desdobramentos desta fase que pode, de fato, redesenhar alicerces diplomáticos e proteger vidas.





















