Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — A Supermedia divulgada nesta quinta-feira, último levantamento antes do blackout de duas semanas que antecede o voto, mostra um quadro de erosão para o bloco do centro-direita e uma aproximação perigosa entre as posições no referendo constitucional marcado para 22-23 de março. Em termos práticos, a arquitetura do voto mostra fissuras que podem influenciar a construção dos resultados finais.
No agregado das intenções de voto por partidos, o partido de maior força, FdI (Fratelli d’Italia), recuou para 28,8% (-0,5 pontos). O PD aparece com 21,6% (-0,5). O Movimento 5 Stelle (M5S) sobe para 12,4% (+0,6), enquanto Forza Italia registra 8,7% (-0,4). A lista Verdi/Sinistra cresce levemente para 6,7% (+0,3), e a Lega atinge o mínimo desta legislatura com 6,5% (-0,6), agora ultrapassada por Azione e outras siglas menores em dinâmica específica.
Segue a lista completa da Supermedia (variação entre parênteses em relação à média de duas semanas atrás): FdI 28,8 (-0,5); PD 21,6 (-0,5); M5S 12,4 (+0,6); Forza Italia 8,7 (-0,4); Verdi/Sinistra 6,7 (+0,3); Lega 6,5 (-0,6); Azione 3,3 (-0,1); Futuro Nazionale 3,2 (+0,2); Italia Viva 2,2 (-0,2); +Europa 1,6 (=); Noi Moderati 1,1 (+0,1).
No nível das coligações, o centro-direita soma 45,1% (-1,5), enquanto o chamado “Campo largo” ou centro-esquerda marca 44,5% na comparação citada original — segundo a Supermedia para 2022/coalizões: Centrodestra 45,1 (-1,5); Centrosinistra 29,9 (-0,1); M5S 12,4 (+0,6); Terzo Polo 5,5 (-0,3); Altri 7,1 (+1,3). O recuo do bloco majoritário reduz o fosso para pouco mais de meio ponto percentual, um sinal de que os alicerces eleitorais estão sujeitos a recalques rápidos.
Quanto ao referendo constitucional, a distância entre o Sì e o No encolheu: o Sì aparece com 50,4% (-0,8) e o No com 49,6% (+0,8), praticamente em empate técnico. A margem diminuiu mais de um ponto e meio na última semana, um movimento que torna imprevisível o desfecho e evidencia o peso da caneta no dia da votação.
A Supermedia Youtrend/AGI é uma média ponderada de sondagens nacionais realizada com dados coletados entre 19 de fevereiro e 4 de março; a ponderação foi efetuada em 5 de março com base na consistência amostral, data de realização e método de coleta. Os institutos considerados foram: EMG (pub. 26/02), Eumetra (26/02), Ipsos (05/03), Ixe’ (23/02), Noto (04/03), SWG (23/02 e 02/03) e Youtrend (27/02).
Para o referendo, foram ponderadas pesquisas de EMG (12/02), Eumetra (12/02), Ipsos (14/02), Only Numbers (17/02), Piepoli (13/02), SWG (9 e 16/02), Tecné (14/02) e Youtrend (11/02). A nota metodológica detalhada está disponível no portal oficial dos agregadores: www.sondaggipoliticoelettorali.it.
Como repórter que atua como ponte entre Roma e a vida cotidiana, observo que esses números não são apenas estatísticas: são a argamassa com que se erguem políticas e direitos. Com o blackout a partir de agora, a última imagem antes do silêncio público aponta para um processo eleitoral acirrado, no qual pequenas variações podem alterar estruturas inteiras. Cabe ao eleitor, informado, manter o peso do voto com responsabilidade e consciência cívica.






















