Roma — O Senado aprovou uma moção bipartidária que manifesta «preocupação» pelos acontecimentos no Irã e a «condenação» da suposta repressão das autoridades iranianas. Apesar do amplo apoio, o Movimento 5 Stelle (M5S) decidiu abster-se, posição explicada pelo líder do partido, Giuseppe Conte, em vídeo publicado nas redes sociais.
Conte afirmou que o M5S concorda com o teor geral do texto, mas que havia pedido uma inclusão simples e pontual: deixar claro que o partido é contrário a ações militares unilaterais realizadas fora do quadro do direito internacional. «Metemos no papel a nossa contrariedade a ações militares que não respeitem as regras internacionais — nada mais», disse o ex-primeiro-ministro. «Nos disseram não. Por isso nos abstivemos, embora compartilhemos o resto da resolução: a ausência desse ponto é, para nós, fundamental».
Na explicação de voto, Conte descreveu um receio mais amplo sobre a nova orientação externa do governo, que chamou de doutrina «Meloni-Tajani»: segundo o ex-líder do M5S, trata-se de uma política em que o direito internacional valeria «até certo ponto», ponto esse definido, de acordo com Conte, pelos Estados Unidos.
O debate parlamentar também foi marcado por menções a possíveis ingerências externas nas recentes manifestações iranianas. Alguns comentários citam suspeitas sobre a presença de serviços de inteligência estrangeiros — como CIA e Mossad — no terreno, referência reforçada por declarações do ex-007 Marco Mancini, que admitiu indícios de atividade conjunta de agências de informação. Essas alegações alimentaram narrativas divergentes sobre a origem e a natureza das tensões internas no Irã.
Em comissão Esteri, os senadores do M5S reforçaram que não querem ver a Itália comprometida em «outra ação ilegal» semelhante às que marcaram episódios recentes na política internacional, nem apoiar «outra guerra pelo petróleo». Por isso solicitaram a inclusão, na moção, de um compromisso explícito para evitar qualquer intervenção militar unilateral que não esteja ancorada no direito internacional. O pedido foi rejeitado.
A moção aprovada, portanto, permanece como um texto unitário de condenação da repressão e de expressa preocupação com a situação dos direitos humanos no Irã, mas sem a cláusula que impediria formalmente a adesão italiana a operações militares unilaterais. Para o M5S, essa omissão não é meramente retórica: trata-se de um alicerce jurídico-político que define até onde a Itália se dispõe a acompanhar aliados em cenários de conflito.
Do ponto de vista da cidadania, a disputa no Senado evidencia a construção — e, por vezes, a fragilidade — dos alicerces que ligam decisões de política externa às garantias jurídicas internacionais. Como repórter e ponte entre Roma e a sociedade, observo que o peso da caneta parlamentar pode decidir não apenas declarações simbólicas, mas caminhos que alteram vidas e destinos de populações inteiras.
O que fica: o Parlamento manifestou condenação à repressão no Irã, mas a ausência de uma salvaguarda clara contra ações militares unilaterais levou o M5S a se abster. O episódio realça tensões internas sobre o compromisso italiano com o direito internacional e a influência das alianças estratégicas na tomada de decisão.





















