Em resposta aos violentos confrontos ocorridos em Turim durante o cortejo pelo centro social Askatasuna, a maioria de centrodireita está finalizando um rascunho de resolução que será apresentado na sessão de amanhã no Senado, segundo documento obtido pela Espresso Italia. O texto, ainda sujeito a ajustes por fontes parlamentares da maioria, traça uma linha dura: condenação inequívoca dos atos e pedidos de reforço das estruturas que protegem os agentes no terreno.
Entre os pontos centrais, o rascunho solicita ao governo que prossiga o despejo de bens e imóveis ocupados ilegalmente, segundo «critérios objetivos de prioridade» definidos pelas prefetture. O bloco também pede que o Executivo avalie «iniciativas normativas destinadas a incrementar as contratações por concurso nos corpos de polícia», ao lado de um reforço das tutelas em favor dos profissionais da segurança, tanto no plano normativo quanto no econômico.
O documento cobra ainda que o governo seja portador, «em todas as sedes adequadas», da solidariedade do Senado e da Nação aos agentes feridos e às forças de segurança envolvidas na gestão da ordem pública. A resolução expressa «a mais firme e incondicional condenação» das violências ocorridas em Turim e reafirma «plena solidariedade aos agentes feridos e a todas as forças de ordem».
Para a maioria de centrodireita, o que se viu representa «a enésima e inaceitável manifestação de um clima de crescente hostilidade e violência contra homens e mulheres fardados», qualificado no texto como um ataque direto ao Estado e aos seus presídios de legalidade. A linguagem do rascunho deixa claro o objetivo político: reforçar a percepção de que a segurança pública e a proteção da propriedade são alicerces que o Estado deve blindar.
Na reconstrução dos fatos, a resolução descreve episódios «reconducíveis a guerrilha urbana premeditada e planejada», com lançamento «à altura do homem de pedras, rojões e esferas de metal», uso de «bombe carta», bastões, barras de ferro, outros objetos contundentes e mesmo luzes laser. Durante os confrontos, um blindado das forças policiais foi incendiado, assim como várias automóveis estacionadas e contentores de lixo.
Segundo o texto, a situação degenerou quando «um grupo significativo de indivíduos, trajando roupas escuras, máscaras, capacetes e passamontanhas», após lançar uma densa cortina de fumaça por meio de fumígenos, avançou de forma compacta contra a barreira policial que protegia a antiga sede do Askatasuna. O rascunho lembra ainda que, entre a noite de 31 de janeiro e 1º de fevereiro, «mais de cem membros das forças de segurança foram feridos», e que um agente da Polizia di Stato foi atacado por cerca de dez pessoas com armas improvisadas enquanto cumpria serviço.
Como repórter com foco na intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, vejo neste texto a tentativa de erguer novos alicerces legais e administrativos para proteger quem atua na linha de frente da ordem pública. Trata-se de uma proposta que mistura medidas práticas — mais concursos, critérios para despejos — com uma forte mensagem simbólica de respaldo institucional às forças de segurança.
Resta saber como o governo e outras forças parlamentares receberão essa resolução na sessão do Senado. A discussão promete ser mais do que política: é uma peça da arquitetura do convivério democrático, onde se decide como equilibrar o direito de manifestação com a necessidade de evitar que a rua se transforme em palco de violência organizada. A caneta que redige essas normas terá, mais uma vez, peso direto na construção dos direitos e na proteção dos cidadãos.






















