Por Giuseppe Borgo — Em nova sessão marcada por tensão política, o tema da segurança voltou a ser campo de disputa entre governo e oposição, com repercussões diretas na vida dos cidadãos e nas comunidades de imigrantes e ítalo-descendentes. De um lado, o apelo da premièr Giorgia Meloni por uma resolução unificada; do outro, as críticas da líder do PD, Elly Schlein, e a reação do Movimento 5 Stelle liderado por Giuseppe Conte.
Schlein diz ter telefonado a Meloni para lembrar que a segurança não pode ser sujeita a strumentalizzazioni. “De frente à violência política, é preciso unir as instituições e não dividir, como foi feito hoje”, afirmou. Para a líder do centro-esquerda, é grave a tentativa, segundo ela, da direita e do ministro Piantedosi de usar o episódio para atacar as oposições e o trabalho dos juízes.
A oposição em bloco — PD, M5S e Avs — avalia apresentar um documento conjunto antes das comunicações que o ministro Piantedosi fará ao Senado. A escolha da maioria de transformar o depoimento em uma sessão de comunicazioni — cujo resultado é votável — foi interpretada pelos opositores como gesto político para evidenciar supostas distâncias internas sobre políticas de segurança. O debate interno ao campo opositor segue em curso enquanto se define a estratégia parlamentar.
Em resposta, Conte convocou seus apoiadores para uma transmissão ao vivo nas redes, expondo as propostas do M5S que pretende levar ao Parlamento. O ex-primeiro-ministro criticou duramente três medidas defendidas pela maioria: a caução para organizadores de manifestações (que, na avaliação do M5S, limitaria o direito de manifestação a quem pode pagar e empurraria protestos para a ilegalidade); o chamado “escudo” para forças policiais, considerado uma intervenção que poderia afastar a investigação do poder do Ministério Público; e o instituto do fermo preventivo, tachado de norma liberticida que remeteria o país a práticas menos garantistas.
As propostas concretas apresentadas pelo M5S incluem: retorno à perseguibilidade de ofício, revogação da norma Nordio-Meloni sobre interrogatório preventivo antes de prisão, reforço do efetivo policial com um plano orgânico e um pacto nacional de segurança com verbas destinadas à requalificação de bairros mais vulneráveis. São sugestões pensadas para reconstruir alicerces de segurança sem derrubar direitos fundamentais — uma tentativa de equilibrar ordem pública e garantias individuais.
Fontes do PD e da Avs, porém, preferem trabalhar em um texto mais enxuto, de caráter valorizador, evitando a inclusão de dispositivos legislativos específicos. A razão é pragmática: a aprovação da resolução da maioria no Senado tornaria todas as demais automaticamente sem efeito. A leitura política deste movimento foi interpretada por aliados de Conte como uma “fuga em frente” diante dos contatos de Schlein com Meloni.
O responsável pela segurança do PD, Matteo Mauri, acusou o ministro Piantedosi de fazer “somente propaganda”, denunciando a instrumentalização do caso e lembrando que cerca de 20 mil manifestantes pacíficos participaram dos atos — um dado que, segundo ele, não pode ser apagado pela narrativa do alarmismo.
Há tempo para o diálogo, mas o calendário é agora campo de batalha: a opção do centro-direita pelas comunicazioni em vez de uma simples informativa foi qualificada como um strappo pelas oposições. Os grupos do centrosinistra se reúnem para encontrar uma quadra comum e usar o tempo parlamentar disponível com o objetivo de proteger direitos e segurança ao mesmo tempo — construindo, com responsabilidade, a ponte entre justiça, polícia e sociedade.





















