Sanremo 2026: Conti desmente presença de Giorgia Meloni e ironiza ‘que compre o ingresso’
Em meio à contagem regressiva para a abertura da 76ª edição do Festival de Sanremo, o apresentador Carlo Conti tratou de pôr fim às especulações sobre a suposta participação da premiê Giorgia Meloni no palco do Ariston. Questionado durante a conferência de imprensa, Conti respondeu com ironia: ‘Se ela compra o bilhete, é livre para vir’, frase que foi interpretada como uma forma bem-humorada de negar qualquer convite ou presença institucional.
O episódio surge poucas horas antes do início oficial do festival, que começa na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, e se estende por cinco dias. As vozes de corredor já haviam levantado críticas sobre uma possível utilização da vitrine do Sanremo 2026 para fins políticos, mas a resposta curta de Conti cortou de pronto a especulação e reposicionou o debate no terreno do espetáculo.
Ao mesmo tempo, a própria interessada também reagiu às versões circulantes: ‘Eu no festival? Fantasanremo, continuo a fazer o meu trabalho’, declarou Giorgia Meloni, classificando como ‘fake news’ e divertidas as narrativas que a colocavam como presença confirmada na kermesse.
O tema político não é o único que tem movimentado as primeiras horas do festival. A desistência do comediante Pucci da coapresentação, motivada por um fluxo de insultos nas redes sociais — com acusações de ‘fascista, racista e homofóbico’ — reacendeu o desconforto em torno da relação entre artistas, público e redes. Conti defendeu o colega e também falou de sua própria trajetória: ‘Minha história fala por mim’, afirmou, lembrando que já trabalhou com governos diferentes e que, historicamente, sofreu rótulos variados. ‘Sou um homem livre e independente’, reforçou, evocando o peso da caneta e a responsabilidade de manter a autonomia artística e profissional.
Como repórter interessado na intersecção entre decisões públicas e vida cotidiana, observo que a arquitetura desse Sanremo está sendo construída com cautela: pequenas rachaduras de politicagem tentam abrir caminho, mas os alicerces do festival — músicas, performances e criatividade — resistem às pressões externas. O que ficará desta edição, previsivelmente, serão algumas canções, discussões sobre escolhas de elenco e a ausência de nomes que alimentaram especulações, como o de Giorgia Meloni e de Achille Lauro.
Entre rostos e rumores, a lista de coapresentadores inclui Katia Follesa, Bianca Balti e Geppy Cucciari, mas, segundo as primeiras impressões, nenhum deles deverá competir com o palco principal pelas atenções políticas. Em suma: Sanremo tenta manter-se como palco da canção italiana, enquanto as forças externas testam a resistência do evento a servir de vitrine institucional. Como em toda construção pública, a tarefa é erguer pontes entre entretenimento e responsabilidade cívica sem deixar que as paredes se transformem em palanques.
Seguiremos acompanhando as noites do festival e reportando, com rigor acessível, o que as luzes do Ariston revelarem sobre cultura, poder e cidadania.






















