O tradicional Festival de Sanremo, conhecido por unir música, cultura e debates públicos, volta a se tornar espaço de discussão política. Em 2026, o evento coincide com o referendo sobre a reforma da justiça, marcado para os dias 22 e 23 de março, e alguns artistas já começaram a se posicionar publicamente.
Embora o Festival não seja oficialmente um palco político, as coletivas de imprensa e entrevistas paralelas frequentemente ampliam temas que ultrapassam a música. Desta vez, o foco recai sobre a consulta popular que mobiliza o país.
Malika Ayane: incentivo ao voto e defesa da separação
A cantora Malika Ayane, concorrente com a canção “Animali nocturni”, foi questionada por jornalistas sobre sua posição em relação ao referendo.
“Votarei, como sempre. Sempre incentivo todos a votarem, e acho que há razões pelas quais a política e o judiciário devem permanecer separados”, afirmou durante coletiva de imprensa.
Embora não tenha declarado explicitamente seu voto, a fala foi interpretada por parte da imprensa como uma inclinação ao “não”, especialmente pela defesa da separação entre política e magistratura — um dos pontos centrais do debate.
Fausto Leali: apoio declarado à reforma
Já Fausto Leali, homenageado na segunda noite do Festival por seus 60 anos de carreira, manifestou posição contrária à da colega. Em entrevista ao jornalista Paolo Giordano, publicada no jornal Il Giornale, o cantor declarou que votará “sim”.
Segundo Leali, a escolha representa a intenção de “mudar o que não está funcionando”. O artista afirmou ainda ser favorável à chamada reforma do Nordio — referência ao ministro da Justiça Carlo Nordio, associado às propostas de alteração no sistema judiciário italiano.
Cultura e política: um debate recorrente
Não é a primeira vez que o Festival de Sanremo se torna espaço indireto de discussões políticas. Ao longo das décadas, artistas utilizaram entrevistas e discursos para expressar posicionamentos sobre temas sociais e institucionais.
A proximidade do referendo com a realização do Festival intensifica naturalmente as perguntas da imprensa e o interesse do público. Ainda que o evento mantenha seu foco na música, o contexto nacional acaba influenciando o debate cultural.
Participação popular no centro das atenções
Independentemente das posições individuais, tanto Ayane quanto Leali reforçaram a importância do comparecimento às urnas. O incentivo à participação democrática foi ponto comum nas declarações.
Com o referendo marcado para 22 e 23 de março, o tema tende a permanecer em evidência ao longo da semana do Festival, ampliando a discussão para além das canções concorrentes e reafirmando Sanremo como um dos principais termômetros culturais e sociais da Itália.






















