Por Giuseppe Borgo — Em resposta às declarações recentes de Elly Schlein no palco da Fondazione Feltrinelli, o jornalista e escritor Gennaro Sangiuliano, líder do grupo Fratelli d’Italia na Região da Campânia e ex-ministro da Cultura, exigiu uma retratação pública. Schlein afirmou: “Dobbiamo riprenderci Tolkien” — uma frase que desencadeou a reação duríssima de Sangiuliano, dada a história que envolve a exposição dedicada ao autor.
Segundo Sangiuliano, é “realmente singular” que hoje a secretária do PD invoque a inspiração do grande escritor britânico depois de, no passado, ter insultado e ridicularizado a mostra sobre Tolkien que foi organizada quando ele ocupava a pasta da Cultura. A exposição, inaugurada por Giorgia Meloni, teve uma adesão de público que Sangiuliano classifica como “extraordinária”, com presença marcante de jovens e uma parede mostrando as inúmeras traduções da obra, evidência da universalidade do autor.
O ex-ministro ressaltou a recepção elogiosa que Tolkien recebeu de personalidades como o Papa Francisco e o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Para Sangiuliano, o escritor representa valores fundacionais: comunidade, tradição, identidade e sentimento de pertença — princípios que, segundo ele, foram celebrados na mostra que agora aparece no centro do debate.
“Há uma construção de direitos e de memória cultural sobre a qual não se pode passar por cima com críticas superficiais”, afirmou Sangiuliano. Ele pediu que Elly Schlein reconheça os erros e “faça ammenda” pelas críticas apressadas que, na visão do político, desqualificaram uma iniciativa cultural de alcance amplo. A afirmação também traz à tona a relação entre política cultural e prestação de contas: quem aponta o dedo hoje pode amanhã reivindicar os mesmos símbolos.
O episódio ainda recupera uma imagem simbólica já utilizada no universo político italiano: a identificação de Giorgia Meloni com a Terra-média de Tolkien ganhou público eco — lembrada por declarações como a da dirigente Arianna, que chegou a dizer, em referência à líder de FdI, que “Giorgia é o nosso Frodo” e que “nós somos a Companhia do Anel”. A paixão de Meloni pela obra é, segundo analistas, incontestável e representa um elemento de imagem que transita entre cultura pop e estratégia política.
Como correspondente dedicado a aproximar a arquitetura das decisões públicas da vida cotidiana, registro que esse confronto público sobre cultura não é mero detalhe retórico: trata-se de como as políticas culturais moldam identidades e de quem tem o peso da caneta para construir — ou demolir — pontes entre instituições e cidadãos. No caso, a demanda de Sangiuliano por uma retratação configura-se como um pedido por responsabilidade política e respeito à construção coletiva da memória cultural.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos. A disputa por Tolkien virou, por ora, símbolo das tensões entre discurso cultural e posicionamento partidário — um pedaço de narrativa que se soma aos alicerces da política cultural italiana.






















