Matteo Salvini reafirmou com firmeza o compromisso do governo em retomar o projeto do Ponte sullo Stretto e apontou 2026 como o ano para o início efetivo dos trabalhos. “Io sono pronto anche per domani”, declarou o ministro das Infraestruturas, frisando que, embora a Corte dei Conti tenha formulado observações técnicas, o processo não está “azzerato” e seguirá os trâmites formais necessários.
No encontro recente entre o governo e o Quirinale houve revisões no decreto: caiu a figura do Commissario e foram atenuados alguns limites que a Corte dei Conti havia imposto. O texto alterado também traça uma roadmap procedural para chegar à nova autorização final. Segundo interlocutores do ministério, as mudanças visam destravar a fase esecutiva, preservando, porém, a conformidade com as exigências legais e com a interlocução junto à Comissão Europeia.
Fontes oficiais confirmam que parte dos recursos do projeto sofreu remanejamento: cerca de 780 milhões de euros previstos na manovra foram postergados para 2033. A Corte dei Conti havia justificado a sua presa de posição acusando incompatibilidades do decreto com regras europeias, o que levou o governo a recalibrar o cronograma financeiro e processual.
Salvini sublinhou que a suspensão temporária das ações preparatórias — que poderiam ter começado já em 2025 — decorreu justamente dos pedidos de chiarimenti da Corte dei Conti. “O objetivo era abrir i cantieri em 2025; com os esclarecimentos, o horizonte passou para 2026”, explicou o ministro, acrescentando que todos os passos serão dados em conformidade com a lei e com as interlocuções europeias necessárias.
Em eventos públicos, Salvini também defendeu a integridade do projeto: “La gara è già fatta; rifarla sarebbe un no all’opera”, insistiu. Segundo o ministro, o desenho estrutural do empreendimento não mudou, embora os custos dos materiais tenham sofrido aumentos que precisam ser considerados no novo quadro financeiro.
Do ponto de vista administrativo, a retirada do commissario e a revisão dos paletti imposta inicialmente pela Corte visam simplificar a arquitetura decisória sem, contudo, eliminar os controles. É uma tentativa de equilibrar a pressa política com a necessidade de garantir a legalidade e a sustentabilidade financeira — trabalhando nos alicerces da lei para que a construção de direitos e infraestrutura não fique apenas no discurso.
Os próximos passos incluem: (1) interlocução técnica com a Corte dei Conti para responder aos rilievi; (2) diálogo com a Commissione UE sobre compatibilidade com normas comunitárias; (3) atualização do cronograma de cantieri visando o início em 2026; e (4) revalidação dos contratti e da gara onde estritamente necessário, evitando, segundo o ministério, procedimentos que possam forçar a paralisação definitiva da obra.
Como repórter e correspondente de La Via Italia, observo que o peso da caneta nas decisões ministeriais encontra agora a sua face prática: transformar declarações políticas em projetos exequíveis e juridicamente blindados. A construção de um mega-empreendimento como o Ponte sullo Stretto exige, além de vontade política, uma ponte sólida entre as exigências administrativas, os fundos públicos e as normas europeias.
Resta a pergunta crucial para a vida real dos cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes: o projeto entregará conectividade e desenvolvimento regional sem onerar excessivamente os cofres públicos? O cronograma para 2026 é ambicioso e depende integralmente da eficácia das interlocuções com a Corte, da resposta da UE e da adequada atualização orçamentária das obras, especialmente diante do aumento dos custos dos materiais.





















