Rivisondoli foi, por três dias, o palco onde a direção da Lega reafirmou que a linha política do partido passa pela caneta e pela palavra de Matteo Salvini. Ao encerrar o encontro “Idee in movimento”, o vice-secretário Claudio Durigon sublinhou que o secretário federal dispõe de “uma classe dirigente preparada”, pronta para “projetar o País” em unidade. Repetindo a expressão de Luca Zaia, Durigon lembrou que a Lega “é uma e indivisível”.
No discurso que ultrapassou uma hora, Salvini desenhou o retrato de uma formação que se quer coesa: “Somos uma família, não uma caserna”, disse, mesmo aceitando o apelido de “Capitano” que alguns lhe atribuem. “Há generais, sargentos, coronéis, mas a nossa força é a truppa, é o povo”, enfatizou. Quem optou por rumos diferentes, avisou, cometeu um erro: “a história ensina que quem sai daqui termina no nada”.
O aviso, esclareceu o próprio secretário pouco depois, tinha destino explícito: os dois deputados que, no início de janeiro, passaram para Forza Italia. Sobre o ex-general mencionado nos debates, Salvini foi pragmático: “Eu o vejo na próxima semana”, afirmou, sem fechar portas.
Com o olhar voltado para a organização interna, o líder da Lega convocou esforço coletivo para a campanha de filiação que se inicia em 1º de fevereiro, com a meta de superar o +34% alcançado no ano anterior. Em toda a Itália, os pontos de tesseramento — descreveu — servirão também para explicar o conteúdo e a importância do referendum, numa tentativa de levar o maior número possível de eleitores a votar sim à reforma.
O recado a quem costuma reclamar nas praças e redes sociais foi direto: se nas datas de 22 e 23 de março o eleitor ficar em casa, “terá a responsabilidade, com seus filhos, de manter um País imóvel e inalterável”. É uma convocação que mistura pressão política e apelo à construção coletiva — a ideia de que as escolhas de hoje erguem os alicerces do futuro.
No capítulo Justiça, Salvini reiterou prioridade: a introdução da responsabilidade civil dos magistrados. “Se erram, devem pagar como todos”, afirmou, ecoando uma demanda feita com frequência pelo partido. E sobre segurança, acolheu o anúncio do ministro do Interior, Matteo Piantedosi: cerca de 60 novas medidas comporão um pacote que deve ir ao Conselho de Ministros na primeira semana de fevereiro. Salvini pediu “mais mãos livres”, dentro dos limites do código, para as mulheres e homens em uniforme que defendem a ordem pública.
O calendário de mobilização inclui uma data destacada: 18 de abril, quando a Lega pretende reunir “patriotas de toda a Itália e da Europa” na Piazza Duomo, em Milão, para defender valores e a cultura ocidental — “não será uma praça contra, mas a favor”, ressaltou. E a meta política de médio prazo também foi lembrada: preparar-se para as eleições nacionais de 2027, com determinação, sacrifício e “idéias claras”. O objetivo eleitoral é ambicioso: reeleger os atuais parlamentares e atrair novas energias de todo o país para as batalhas do partido.
Por fim, Salvini direcionou uma crítica à imprensa que, segundo ele, há anos anuncia mudanças na liderança da Lega. A mensagem foi clara: a hierarquia do partido está consolidada e a base — a truppa — é quem dará sustentação às decisões futuras. Como repórter e observador da arquitetura política, fica a impressão de uma liderança que reforça seus alicerces enquanto desenha a ponte entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos.




















