Fechando a kermesse “Idee in movimento” em Rivisondoli, Abruzzo, o líder e vice‑primeiro‑ministro Matteo Salvini voltou a desenhar os contornos da identidade do movimento: firme, sem mercado interno e com um objetivo central — a liberdade. Aos jornalistas que, segundo ele, há anos prevêem uma troca na direção, respondeu com ironia: mudou o editor deles, não a Lega.
Na intervenção, Salvini sublinhou a ideia de disciplina interna com imagens simples: “Quem janta conosco percebe que usamos talheres, abrimos a porta com um sorriso, dizemos obrigado e por favor”. A mensagem é clara: convivência civilizada e debate aberto, mas sem perder os alicerces ideológicos. “Nós somos sólidos nas nossas ideias e princípios. Escrevam o que quiserem, no problem”, afirmou.
O secretário usou a metáfora da mochila para falar de dissidências: “Se pelo caminho a mochila fica mais leve com peso improdutivo, nós a deixamos para os outros, não precisamos de pesos inúteis”. E completou com a advertência que virou manchete: “A história ensina que quem sai da Lega acaba no nada”. Frase pensada para consolidar a noção de movimento coeso — mais um alicerce na arquitetura interna do partido.
Salvini também descreveu a formação política que pretende: “Não somos um partido, somos um movimento, temos uma missão”. A diferença entre entender o poder como fim ou como meio voltou ao centro do discurso: para ele, a busca por cargos não pode sobrepor‑se à missão política.
Direcionando-se aos parceiros de coalizão, o líder declarou boa sintonia: “Estou muito bem com Giorgia e com os outros do governo, mas a Lega é a Lega“. Garantiu “três anos e meio” de estabilidade, continuidade e seriedade — promessa amparada, segundo ele, por números: um tesseramento que teria crescido 34% em 2025, motivo de agradecimento aos militantes.
Na frente europeia, Salvini criticou o que chamou de legislação censora: a Digital Service Act. Segundo ele, a Lega foi o único partido italiano a votar contra no Parlamento Europeu, por temer mecanismos que, nas suas palavras, possam decidir o que se pode dizer e até «quem pode encontrar Salvini». Perguntou retoricamente se será livre para “encontrar quem bem quiser” — referência direta às críticas geradas pelo seu recente encontro com Tommy Robinson, figura da extrema‑direita britânica.
Em tom direto, Salvini lançou uma mensagem ao presidente ucraniano: “Ao Zelensky, amigo meu, você está perdendo, assine o acordo” — uma chamada para solução negociada, dita diante de apoiadores. O líder também mencionou a Ucrânia em breves comentários, sem ampliar detalhes na intervenção pública.
O discurso de Salvini mistura defesa de coesão organizativa, crítica às tentativas de silenciamento digital e apelo à prática política como meio para alcançar objetivos — metáforas de construção que reforçam a ideia de um partido‑movimento que pretende erguer seus próprios alicerces e derrubar barreiras burocráticas que, segundo ele, limitam a liberdade de ação.
Como correspondente atento à ponte entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, registro que essa mensagem busca reforçar a disciplina interna e a identidade do movimento num momento em que a opinião pública e as narrativas midiáticas tentam redesenhar o mapa político. A arma principal de Salvini é a narrativa de estabilidade social e questionamento das regras digitais que, em sua visão, pesam sobre a liberdade de expressão e de associação.






















