Roma — Em mais um gesto público de solidariedade com as manifestações no Irã, representantes do campo progressista se reuniram nesta sexta-feira no Campidoglio, em Roma, para apoiar o povo iraniano contra a repressão do regime. A mobilização, organizada por Amnesty International e Women Life Freedom for Peace and Justice, reuniu líderes e militantes do PD, do Movimento 5 Stelle, da Avs e de +Europa, em busca de um sinal de unidade política e moral.
No local, a secretária do PD, Elly Schlein, reafirmou que a presença é para garantir apoio à autodeterminação do povo iraniano: “Estamos aqui para dar plena solidariedade e suporte ao povo iraniano. Estamos ao lado de quem protesta e para apoiar a autodeterminação do povo iraniano, o PD sempre esteve presente”, declarou Schlein, marcando a posição do partido como ponte entre a representação política italiana e as demandas por direitos no Irã.
Também presente, o presidente do Movimento 5 Stelle, Giuseppe Conte, explicou a decisão do partido de se abster durante a votação na comissão de Relações Exteriores e Defesa no Senado sobre a moção bipartidária. Conte disse que o M5S apoiava o texto, mas pediu um compromisso adicional: a condenação explícita de opções militares unilaterais. “Dissemos desde o início que concordávamos com a moção apresentada. Pedimos apenas um compromisso a mais: uma condenação às opções militares unilaterais. Se continuarmos assim, estaremos desmantelando o quadro internacional do direito e caminhando para o desordem. É necessária atenção extrema e uma ação forte da comunidade internacional, incluindo sanções em todos os níveis, porque essa repressão não pode continuar”, afirmou Conte.
O secretário nacional de Sinistra italiana, Nicola Fratoianni, também advertiu contra intervenções militares externas sem mandato internacional. “Uma ação unilateral dos Estados Unidos seria outra violação do direito internacional e um desastre adicional”, disse Fratoianni, traçando um paralelo entre a crise iraniana e o momento global em que domina a lógica do mais forte. “Se a Europa não souber reagir reconstruindo os alicerces do direito internacional, o mundo corre para um abismo do qual será difícil sair”, acrescentou.
Na prática, o encontro nas escadarias do Campidoglio teve duplo objetivo: demonstrar apoio ao protesto democrático no Irã e pressionar por uma resposta europeia coordenada, que priorize medidas políticas e econômicas e evite a escalada militar. Em discurso coerente com seu perfil institucional, Conte reiterou a necessidade de uma resposta que preserve a arquitetura das normas internacionais e evite que o “peso da caneta” de um só ator reescreva regras globais.
Para manifestantes e lideranças reunidas, a prioridade é clara: sustentar a voz das ruas iranianas com solidariedade efetiva, proteção de direitos humanos e medidas que penalizem o aparato repressivo sem abrir caminho para aventuras militares. A convergência no Campidoglio foi apresentada como um primeiro passo na construção de uma frente europeia capaz de derrubar barreiras burocráticas e exigir consequências concretas contra violações de direitos.
Em termos práticos, os pedidos emitidos na praça incluem: condena pública da repressão, apelos a sanções direcionadas, canais de asilo para perseguidos políticos e maior coordenação europeia para assegurar que a solidariedade não fique apenas no simbólico.
Como repórter atento à interseção entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, registro que este tipo de mobilização funciona como alicerce para futuras iniciativas políticas: é a construção de direitos que começa na praça e tenta chegar às mesas onde as decisões são tomadas.






















