Remigração e liberdade de expressão voltaram ao centro do plenário depois que a presidência da Câmara determinou a abertura de uma istruttoria sobre o episódio ocorrido na última sexta-feira na sala de imprensa. A decisão foi anunciada pela presidente de turno, Anna Ascani, em resposta ao pedido do deputado Rossano Sasso (Lega) para que sejam aplicadas sancioni aos parlamentares que ocuparam o espaço e impediram a realização de uma conferência de imprensa que contaria, entre outros, com membros do CasaPound.
Sasso defendeu que, no “templo da democracia”, não se pode obstruir o direito de um colega de exercer suas prerrogativas e falar livremente. Segundo ele, um grupo de pelo menos vinte deputados da oposição teria bloqueado uma conferência previamente autorizada, criando um precedente que precisa ser esclarecido e, se for o caso, punido.
Do outro lado, o líder do M5S na Câmara, Riccardo Ricciardi, rebateu que a intervenção foi uma defesa das instituições: “defendemos a Câmara de quem queria levar para dentro uma pessoa condenada por agressão às forças da ordem durante manifestações”, disse, lembrando que o pedido de Sasso coincidiu com o dia em que o ministro Piantedosi prestava esclarecimentos sobre os confrontos em Turim.
O tom do debate mostrou que a disputa não é apenas processual, mas simbólica. Para figuras do centro-esquerda, como o deputado Roberto Morassut (PD), a ação foi a “legítima defesa das instituições da República”: “impedimos o ingresso de uma organização que consideramos ilegal e violenta, com pessoas condenadas por atos agressivos e uma proposta de lei que classificamos como racista”.
Filiberto Zaratti (Avs) acrescentou que houve a intenção consciente de proteger a Constituição: “Marsella se macchiou di violenza alle forze dell’ordine. Assumimos a responsabilidade de defender a Carta e voltaremos a fazê-lo. Não faremos um passo atrás”.
O confronto verbal também teve intervenções de vozes moderadas: Matteo Richetti (Azione) criticou a abordagem da oposição e comentou, em tom irônico, que esperava um pedido de desculpas do colega Sasso por ter levado a presidência a ordenar a ocupação da sala.
A convocação da istruttoria abre uma fase procedural que terá de avaliar se houve excesso na ação dos deputados que ocuparam a sala de imprensa e se essa ação justifica punições disciplinares. Do outro lado, representantes da oposição anunciam que, caso a mesma situação se repita, adotarão os mesmos gestos para “derrubar barreiras burocráticas” e impedir o acesso de pessoas que julguem perigosas para a convivência democrática.
Como repórter que observa a arquitetura do poder e a construção dos direitos, registro que o episódio é um exemplo da tensão entre o peso da caneta — as decisões formais da Mesa da Câmara — e a força das ruas traduzida em gestos parlamentares. Está em jogo o equilíbrio entre proteger o pluralismo de opinião e evitar que o plenário seja palco de legitimação de organizações com históricos de violência. A Câmara agora precisa dos alicerces procedimentais para responder com transparência, sem transformar a investigação em trincheira política.
Enquanto a presidência prepara a apuração, a opinião pública e os próprios parlamentares acompanharão o desenrolar dos fatos: qualquer decisão sobre sanções poderá estabelecer precedentes que influenciarão a relação entre liberdade de expressão e segurança institucional nas próximas sessões.






















