Rai e o futuro de sua governança voltam ao centro do palco parlamentar: o ddl de reforma, parado por meses nas comissões, foi oficialmente calendarizado para ser votado em plenário na semana de 3 a 5 de março. A informação foi anunciada no início da sessão pela vice‑presidente do Senado, Licia Ronzulli, que comunicou as decisões tomadas pela reunião informal das capigruppo.
A movimentação representa mais do que uma simples mudança de agenda: simboliza a retomada de uma obra política cuja estrutura vem sendo cobrada repetidamente pelas oposições. Parlamentares contrários à demora na tramitação vêm exigindo, há semanas, que a comissão conclua o exame do texto e permita a votação em plenário. A pressão se intensificou porque o destino do projeto foi atrelado à aprovação do Media Freedom Act da União Europeia — e, crucialmente, ao desbloqueio do processo de eleição do presidente da Rai.
Em declaração à imprensa, o presidente dos senadores do Partido Democrático, Francesco Boccia, celebrou a calendarização: “É um fato importante que tenha sido acolhido o pedido, avançado unitariamente pelas oposições, de calendarizar o ddl n.162 para a implementação do Media Freedom Act. Solicitamos isso desde o primeiro momento: a Itália não pode ficar atrás das outras democracias europeias em pluralismo, independência editorial e proteção dos jornalistas”.
O teor do projeto de lei e suas implicações práticas permanecem, em essência, as mesmas — trata‑se de uma tentativa de alinhar a radiotelevisão pública italiana às exigências europeias de pluralismo e liberdade de mídia, desenhando novos alicerces para a governança e a proteção editorial. Para cidadãos, jornalistas e comunidades de imigrantes e ítalo‑descendentes, trata‑se de algo palpável: a arquitetura das regras internas da principal emissora pública brasileira — desculpe, italiana — influencia o enquadramento de debates públicos, o acesso a informação plural e o peso da caneta na nomeação dos cargos de direção.
Do ponto de vista jurídico‑político, o vínculo entre o ddl e o Media Freedom Act da UE adiciona uma camada europeia à obra que se constrói em Roma. A aprovação em plenário permitirá ao país avançar no cumprimento de compromissos comunitários que visam reforçar a independência dos meios e a segurança dos profissionais de imprensa. Politicamente, a votação também pode destravar a eleição do presidente da Rai, ainda pendente em razão de impasses procedimentais e maiorias variáveis.
Como correspondente atento à intersecção entre decisões de Roma e vida cotidiana, vejo essa fase como um momento para erguer pontes informativas: a sociedade precisa entender como as regras que emergem do Parlamento afetam a pluralidade do noticiário, o acesso de minorias aos microfones e a proteção institucional dos jornalistas. Os atos legislativos são alicerces — quando mexemos neles, remodelamos o ambiente onde a cidadania se reconhece e age.
Nos próximos dias, a cobertura deve acompanhar o desenrolar em plenário, a versão final do texto aprovado e as eventuais emendas que possam alterar prazos, critérios de nomeação e garantias de independência editorial. A vigilância pública e o acompanhamento jornalístico serão essenciais para que a reforma não seja apenas um projeto no papel, mas uma construção concreta em defesa do pluralismo.
Rai, ddl, Media Freedom Act, Senado e os nomes citados (como Licia Ronzulli e Francesco Boccia) permanecem no centro desse debate: o peso da caneta e a arquitetura do voto serão, mais uma vez, determinantes.






















