A menos de dois meses do plebiscito constitucional sobre a reforma da justiça, marcado para 22 e 23 de março de 2026, o instituto Ixè desenha um cenário de empate técnico. Segundo a sondagem divulgada em janeiro de 2026, o voto a favor da reforma aparece com cerca de 50,1%, contra 49,9% do voto contrário. A leitura revela um movimento: o campo do sim recuou desde novembro (quando alcançava 53%), enquanto o não avançou (de 47% para quase 50%).
O levantamento também projeta uma participação relevante: a taxa de comparecimento estimada é de 61,5%, acima do patamar que analistas consideravam incerto para este pleito. Do total, 8,5% dos entrevistados afirmaram que não votarão de maneira definitiva, e a parcela de indecisos chega a 30% — um bloco significativo que pode decidir o resultado.
Sobre o nível de informação da população, a sondagem indica que 45% do painel afirmam conhecer os pontos centrais da consulta; 37% dizem ter apenas uma compreensão superficial, e 18% declaram ignorar o tema. Um dado político relevante: 37,2% manifestaram surpresa ao saber que, para este referendo, não há exigência de quórum.
Como repórter atento à interseção entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, cabe destacar o efeito prático desse empate técnico. A votação não é apenas um embate entre palavras de ordem políticas; é uma obra pública em construção — afeta tribunais, prazos processuais e, em última instância, o acesso à justiça de quem convive com filas judiciais e custos processuais. O peso da caneta que aprova ou rejeita mudanças terá reflexos nos alicerces da lei e na rotina de servidores, advogados e cidadãos comuns.
Para os partidos e movimentos, o desafio está em transformar persuadir indecisos e mobilizar eleitores já inclinados pelo sim ou pelo não. A ausência do quórum transforma a eleição numa questão de mobilização pura: cada voto passa a valer mais. A arquitetura da campanha deverá se concentrar em debates claros, materiais informativos e ações de base, derrubando barreiras burocráticas que afastam o eleitorado do entendimento.
Em suma, o retrato do sondagem Ixè é de incerteza operativa: empate técnico, participação estimada acima de 60% e um terço do eleitorado indeciso. Resta a Roma, às campanhas e aos cidadãos a tarefa de construir a ponte de informação necessária para que, nas semanas que antecedem o pleito, a escolha seja feita em bases informadas e com plena noção do impacto na vida cotidiana.






















