Em mais um capítulo da batalha informativa em torno do referendo sobre a justiça, Forza Italia aposta numa linguagem jovem e direta: um vídeo de divulgação que recorre ao universo do fantacalcio para explicar, em imagens simples, o risco percebido quando funções de acusação e de julgamento se sobrepõem.
A iniciativa partiu da Campânia, onde jovens do partido produziram um spot divulgado nas redes sociais que, nas primeiras horas, registou cerca de 100 mil visualizações. O objetivo declarado é atingir o público dos cerca de três milhões de entusiastas do jogo online, usando um código comunicacional imediato e facilmente reconhecível.
No vídeo, a ação começa num ambiente doméstico: um homem de camiseta monta a sua escalação no smartphone. O nome da equipa é “Real Travaglio”, numa alusão explícita ao jornalista Marco Travaglio, dentre as vozes favoráveis ao “não”. Os nomes dos jogadores são fictícios e remetem a personagens cult do filme L’allenatore nel pallone, com uma escolha intencional de referências pop para criar empatia com o público alvo.
Depois de enviar a formação, o protagonista troca de papel: veste paletó e gravata e transforma-se num jornalista desportivo — mas continua a ser a mesma pessoa a atribuir notas elevadas aos jogadores que havia escalado. A pergunta em off sintetiza o argumento do spot: “Você jogaria no fantacalcio se quem joga for o mesmo que dá as notas?” O paralelo com a proposta de separação de carreiras na magistratura é direto: se quem acusa e quem julga coincidem, a confiança no sistema corre o risco de rachar.
Do lado oposto, o Partito Democratico havia experimentado outra chave narrativa: um spot ambientado numa pista de curling, que usava as dinâmicas do jogo como metáfora para os efeitos da reforma. O vídeo do PD, entretanto, foi removido depois de críticas e polêmicas surgidas nas redes.
O duelo — ou melhor, o “derby social” — que se instala entre fantacalcio e curling demonstra como a comunicação política recorre a metáforas esportivas para traduzir temas jurídicos complexos em imagens de rápida leitura. São tentativas de construir pontes entre a linguagem técnica do direito e a vida cotidiana dos eleitores: traduzir o peso da caneta em situações familiares, derrubar barreiras burocráticas com imagens reconhecíveis, e explicar os alicerces da lei sem jargões indecifráveis.
Como repórter atento aos efeitos concretos das decisões de Roma, registro que essa estratégia de simplificação pode ampliar o alcance da discussão — mas também corre o risco de reduzir um debate institucional sério a um espetáculo narrativo. A responsabilidade pública exige que as metáforas ajudem a clarificar, não a confundir. Em campo, a luta comunicativa continuará: partidos tentando falar a públicos novos e traduzir a arquitetura do voto em signos que o cidadão comum reconheça e processe.
Nos próximos dias, será importante observar não apenas os conteúdos produzidos, mas o impacto real dessas mensagens sobre a opinião pública e sobre a percepção de confiança nas instituições judiciais — porque, no final, a construção dos direitos exige mais do que slogans: exige informação clara, verificável e duradoura.




















