Em entrevista à AGI após o encontro sobre segurança convocado pela primeira‑ministra Giorgia Meloni em Palazzo Chigi, o ministro do Interior Matteo Piantedosi pediu calma institucional e mediática: existe um tema de segurança na Itália, mas “não há uma emergência“. A declaração foi feita no contexto de dados estatísticos que, segundo o ministro, atestam uma tendência de queda nos crimes.
De acordo com Piantedosi, o andamento dos delitos no país registrou uma redução de 3,5%. Em particular, os crimes mais graves teriam diminuído: os homicídios caíram 15%, os homicídios por facadas (accoltellamento) 6% e os feminicídios 18%. Paralelamente, o ministro ressaltou que está em curso a maior campanha de contratações nas forças de polícia dos últimos 30 anos: o turnover estaria sendo coberto em 100%, enquanto governos recentes financiavam apenas 70% das reposições.
Ao confrontar números, Piantedosi criticou adversários políticos que, quando exerciam o governo, deixaram indicadores piores: +18% de delitos, +170% em desembarques de migrantes irregulares e uma queda de 70% nas contratações das forças da ordem. “Os comparativos no plano numérico são implacáveis”, afirmou.
Ampliando o olhar para a União Europeia, o ministro invocou a comparação internacional: no rácio entre habitantes e homicídios, apenas Malta tem desempenho melhor que o italiano. “Mesmo retrocedendo no tempo, desmente‑se a ideia de um país fora de controle”, disse Piantedosi, lembrando que os homicídios por acoltellamento foram 101 em 2025 — muitos, mas menos que há uma década (130) e vinte anos atrás (160).
O recado central do ministro foi uma advertência contra a tentação de alimentar a psicose da insegurança para justificar medidas: “As normas que propomos são úteis e justificáveis em si; devem ser aprovadas para reduzir ainda mais a curva dos crimes, não para sair de um Far West imaginário”. A metáfora traz a imagem da responsabilidade legislativa como o peso da caneta sobre os alicerces da lei: decisões que constroem direitos e segurança reais, não espantalhos retóricos.
Piantedosi reconheceu, porém, o impacto social e emotivo de episódios graves, sobretudo quando envolvem menores, citando o caso recente em La Spezia. Por isso, o pacote de segurança preparado pelo Viminale, que será apresentado em breve ao Parlamento, deve ser tratado como uma oportunidade para demonstrar responsabilidade — conjunto de medidas que atuam tanto na prevenção quanto na repressão. O objetivo é aprovar o pacote “definitivamente em Aula o quanto antes”.
Ao concluir, o ministro fez um apelo às forças políticas: que cada grupo cumpra seu papel em vez de levantar poeira política e alarmismo. Na voz de quem acompanha as estruturas do Estado, Piantedosi pediu que o debate seja construído sobre dados e resultado prático, estabelecendo uma ponte entre as instituições e a vida cotidiana dos cidadãos: só assim se derrubam barreiras burocráticas e se consolidam os alicerces de uma política de segurança eficaz.






















