Dois anos depois do encontro inaugural de janeiro de 2024, Roma volta a reunir parceiros do continente africano para a segunda edição do cume bilateral. No dia 13 de fevereiro, na capital etíope, realizará-se o segundo cume Itália-África, em coincidência com o encontro da União Africana e na véspera da Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo, ao qual participará como convidada de honra a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, que retorna de Bruxelas após um Conselho Europeu informal sobre o futuro do bloco.
A decisão de levar o encontro a Addis Abeba traduz a narrativa política que sustenta o Piano Mattei: trabalhar “com a África e não para a África”, escutando prioridades locais e construindo parcerias de longo prazo. A escolha simboliza também a intenção de erguer pontes diplomáticas diretas, transformando compromissos em projetos concretos.
Fontes diplomáticas destacam que o objetivo imediato do encontro é fazer um balanço do estado de implementação do Piano Mattei, a estratégia lançada há dois anos. Nascido com o envolvimento de nove países, o plano hoje abrange 14 Estados africanos e, segundo previsões oficiais, deverá ampliar-se ainda mais ao longo de 2026.
No centro das discussões estarão novos campos de cooperação e projetos já em carteira. Estão em foco iniciativas que mobilizam entre 1,3 e 1,4 bilhões de euros, voltadas para setores estratégicos: água, agricultura, infraestrutura, energia, saúde, educação e formação profissional. Entre essas prioridades, o tema do acesso à água emerge de forma contundente como prioridade apontada pelos parceiros africanos.
A grande dificuldade, como reconhecem as mesmas fontes, continua sendo acelerar a execução dos projetos. A implementação de iniciativas dessa envergadura enfrenta tempos técnicos e procedimentos complexos, exigindo um coordenação articulada entre múltiplos níveis institucionais, italianos e africanos. Por isso, uma das metas centrais desta fase do Piano Mattei é justamente simplificar os processos decisórios e tornar mais fluida a tramitação burocrática, sem contudo comprometer a solidez e a visão de longo prazo das intervenções.
No contexto das relações bilaterais, a premiê manteve recentemente um contato telefônico com o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune. O diálogo centrou-se na agricultura em áreas desérticas e na criação de um centro de formação previsto para 2026, com foco em transferência de competências e know-how destinados a permanecer nos países beneficiários, promovendo autonomia e desenvolvimento local.
O encontro de Addis Abeba chega num momento de interesse reforçado por parte do continente: após a forte participação em 2024, já há cerca de vinte confirmações para esta edição, sinalizando que a plataforma construída em torno do Piano Mattei começa a se consolidar como um eixo de cooperação prática.
Como repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e o efeito real sobre cidadãos, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes, observo que o desafio agora é transformar intenções e declarações em obras palpáveis — o alicerce de qualquer política internacional que queira produzir resultados duradouros. Se o peso da caneta traça acordos, a execução — a verdadeira construção — exigirá coordenação, capacitação local e uma governança que reduza barreiras burocráticas.
Assina: Giuseppe Borgo, correspondente de política e cidadania da Espresso Italia.






















