Roma — Em uma ação que sacode os alicerces da autoridade reguladora italiana, estão em curso buscas da Guardia di Finanza na sede do Garante da Privacidade (Garante della Privacy). A investigação, coordenada pelo procurador adjunto Giuseppe De Falco, aponta o presidente Pasquale Stanzione e outros membros do colegiado como indiciados por supostos crimes de peculato e corrupção.
Os atos processuais incluem a apreensão de telefones celulares e computadores, segundo informações preliminares, com o objetivo de reunir elementos úteis às apurações. Fontes informam que as diligências teriam sido deflagradas após reportagens do programa Report, apresentado por Sigfrido Ranucci na Rai, que levantaram questionamentos sobre despesas de representação do Colégio do Garante e sobre a alegada omissão de sanção contra a empresa Meta pelo primeiro modelo de óculos inteligentes comercializado pela companhia, os Ray-Ban Stories.
O episódio acende um farol sobre a credibilidade da instituição que deveria ser guardiã dos direitos digitais dos cidadãos. Em termos práticos, estamos falando de uma autoridade cuja função é erguer pontes de proteção entre a tecnologia e a vida privada — mas que, agora, vê sua própria arquitetura questionada. A apreensão de dispositivos e documentos sugere que os investigadores buscam traçar conexões entre decisões institucionais e eventuais benefícios indevidos, além de comprovar a gestão dos gastos de representação.
Fontes parlamentares e representantes políticos não tardaram a reagir. Deputados do Movimento 5 Stelle na Comissão di Vigilanza della Rai publicaram nota cobrando a renúncia íntegra do Colégio, classificando como “ato de imprescindível higiene institucional” a saída imediata dos membros envolvidos. Para esses parlamentares, manter-se nas cadeiras diante de investigações dessa natureza equivaleria a expor a autoridade ao ridículo público e a negar a mínima tutela do prestígio institucional.
Do ponto de vista jurídico, os tipos penais mencionados — peculato e corrupção — carregam um peso específico quando o investigado ocupa cargo de confiança pública. A investigação coordenada por Giuseppe De Falco seguirá procedimentos para apreensão e análise pericial dos arquivos eletrônicos e documentação encontrada, numa busca por provas que elucidam a participação, ou não, dos indiciados em eventuais irregularidades.
Como repórter político e cidadão, vejo nesta fase a necessidade de dois movimentos simultâneos: a plena colaboração da autoridade com as investigações e uma atitude de responsabilidade institucional por parte daqueles que conduzem a entidade. Não se trata apenas de preservação de imagens; trata-se de restaurar os alicerces da confiança pública. Enquanto as investigações prosseguem, o país acompanha atento, esperando que a arquitetura da lei seja respeitada e que, se houver culpa, a punição seja aplicada com rigor.
Atualizaremos esta reportagem à medida que novas informações oficiais sejam divulgadas pela Procuradoria de Roma ou pela própria Autoridade.






















