Um passo em direção à unidade, mas com alicerces ainda frágeis. A assembleia dos senadores do PD encerrou quase quatro horas de debate sobre os projetos de lei contra o antisemitismo apresentando um sinal externo de coesão, embora as divisões internas entre maioria e ala riformista permaneçam evidentes.
O presidente do grupo, Francesco Boccia, anunciou a criação de um comitê restrito do partido encarregado de elaborar os emendamenti ao texto-base que será distribuído na terça-feira, 27 de janeiro. No núcleo desse comitê estará, ao menos por ora, Graziano Delrio — cujo projeto chegou a ser desconsiderado pelo partido — junto com os representantes do PD na Comissão de Assuntos Constitucionais. “O recado é que todo o Partido Democrático está fortemente empenhado contra o antisemitismo”, disse um dirigente dem.
Ao mesmo tempo, houve integração parcial do conteúdo do ddl Delrio no texto conduzido por Andrea Giorgis, especificamente o ponto relativo à escola. A inclusão foi atribuída a uma iniciativa de Simona Malpezzi, que pediu a incorporação do dispositivo sobre monitoragens nas escolas contido no texto de Delrio. Participantes definiram o encontro como um confronto “sério”, embora as posições tenham se mantido, em boa parte, cristalizadas.
O conflito central gira em torno da definição e do alcance das medidas. A ala riformista defende a adoção explícita da definição de antisemitismo da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA), argumento que Delrio reiterou durante a reunião. Por sua vez, a maioria do PD optou por uma formulação mais ampla, com referências genéricas ao hate speech, à discriminação racial e aos direitos fundamentais. Críticos da versão de Giorgis avaliam que um texto mais genérico “serve para outras comissões e outros temas”, segundo uma senadora dem.
Entre os pontos de atrito está o temor — expressado por parte do partido — de que o texto do riformista pudesse abrir espaço para um “bavaglio“, ou seja, para riscos de cerceamento de vozes críticas em relação ao governo de Israel. Por isso, a versão final aprovada pelo grupo parlamentar não traz as assinaturas de cinco senadores da área riformista: Graziano Delrio, Filippo Sensi, Simona Malpezzi, Walter Verini e Sandra Zampa.
Houve, contudo, adesões de figuras riformistas ao texto do PD, como Alfredo Bazoli e Alessandro Alfieri, classificadas por fontes da minoria como “um ato devido”, dado o papel institucional desses senadores (vice-liderança e membros da secretaria nacional).
O diálogo mostrou porque a busca por uma posição unitária é uma obra de construção: há blocos que defendem fundamentos distintos do projeto, e encontrar a pedra de toque que una definições e salvaguardas será tarefa delicada. O confronto franco da manhã confirmou que, embora o PD consiga oferecer ao exterior um quadro de empenho coletivo contra o antisemitismo, internamente a arquitetura do consenso exige trabalho técnico e político para derrubar as barreiras burocráticas e reconciliar os diferentes alicerces.
Nos próximos dias, o comitê restrito deverá produzir emendas que tentem conciliar as posições, preparando o terreno para o texto final. A prova de unidade, para agora, tem forma mas ainda precisa de entalhes precisos para transformar compromisso em norma eficaz.


















