Uma reunião ad hoc foi convocada para fazer o ponto sobre o novo pacote de segurança que o governo italiano está a elaborar, mas há dúvidas se o texto ficará pronto a tempo do próximo Conselho de Ministros. Em pronunciamento desde Seul, a primeira‑ministra Giorgia Meloni voltou a dar pistas sobre as propostas já antecipadas na coletiva de início de ano.
“Já antes do Natal eu havia falado com Piantedosi sobre um novo provvedimento”, disse Meloni, referindo‑se ao ministro do Interior. O objetivo declarado é enfrentar, sobretudo, o fenómeno das chamadas baby gangs. A premiê admitiu que as normas podem não estar concluídas para a próxima reunião ministerial, mas garantiu que a equipe trabalhará no assunto com prioridade.
Quem detalhou alguns pontos foi o subsecretário leghista no Interior, Nicola Molteni: segundo ele, o pacote de segurança reúne cerca de 60 normas que tratam de forma abrangente temas de segurança pública. Parte das medidas será apresentada em forma de decreto e outra em projeto de lei. No entanto, a proposta sobre armas brancas já estaria pronta e pode ser antecipada.
No essencial, a iniciativa prevê o proibido de venda de armas brancas a menores e a previsão de sanções de até 1.000 euros para os pais como mecanismo de responsabilização familiar. Para menores, contemplam‑se medidas que chegam ao arresto facultativo em caso de flagrante. Há ainda agravantes relevantes: o crime cometido por pessoa travestida, a prática em grupo (para combater a lógica do bando) e o emprego de faca ou similar nas proximidades de escolas, parques, estações ou linhas ferroviárias.
A Lega, em pressão por aprovação célere, quer também endurecer regras para os chamados “baby delinquentes estrangeiros”. Além da norma anti‑facas e da criminalização de quem não obedece à ordem das forças de segurança, o partido de Matteo Salvini propõe mudanças específicas: restrição a reagrupamentos familiares simplificados, corte de benefícios do acolhimento para jovens que cometem crimes e procedimentos de repatriação mais eficazes para menores chegados à Itália sem parentes.
As reações políticas foram imediatas e polarizadas. A oposição questiona a eficácia das medidas: o senador do PD, Filippo Sensi, criticou as propostas sobre facas como “a mesma brutal e superficial cartilha”, sem reflexão de longo alcance. Organizações e vozes de esquerda alertam para o desgaste social entre os jovens e apontam que encarceramento não resolve a raiz do problema. Para Filiberto Zaratti, há uma “corrida à repressão” com motivações instrumentais.
Do Movimento 5 Estrelas, Barbara Floridia manifestou-se contra a ideia de instalar detectores de metal em escolas, argumentando que não se deve transformar instituições de ensino em “casernas” ou terminais de aeroporto. Já Italia Viva sai do coro crítico e se diz disponível a apoiar as normas, desde que tenham caráter “progressista e de bom senso”: o vice‑presidente Davide Faraone condicionou o apoio à real eficácia das medidas e acusou a direita de uma nova inversão de rota.
Como repórter que acompanha a arquitetura das decisões de Roma, vejo neste momento um esforço do Executivo para erguer alicerces legais rápidos — uma tentativa de construir pontes entre a segurança pública e as necessidades das comunidades. Resta saber se as normas serão capazes de derrubar as barreiras burocráticas que hoje impedem intervenções eficazes nas áreas mais vulneráveis, ou se pesarão apenas como mais tinta na fachada de um problema estrutural.





















