Por Giuseppe Borgo — Em mais uma página da construção de direitos em debate público, a Câmara de Montecitorio viu hoje uma cena tensa e simbólica: parlamentares da oposição ocuparam a sala de imprensa e conseguiram anular todas as conferências de imprensa agendadas, entre elas um encontro ligado a movimentos de extrema direita que incluía a presença de CasaPound.
Segundo nota oficial da Presidência da Câmara, “neste momento não há condições de ordem pública para permitir a realização das conferências” — decisão tomada depois que o acesso à sala foi fechado e nela permaneceram apenas deputados opositores e o deputado da Lega, Domenico Furgiuele, que havia reservado a sala para a iniciativa.
O episódio começou minutos antes do horário marcado para uma conferência sobre a chamada “remigração“, organizada por um cartaz de forças de extrema direita, entre as quais figurava CasaPound. Um grupo de deputados do PD, do M5S e de Avs entrou na sala das conferências e fez valer a ocupação: brandindo cópias da Constituição, cantaram Bella Ciao e chegaram a entoar “Fischia il Vento” enquanto liam o texto da décima segunda disposição transitoria da Constituição, que proíbe a reconstrução do partido fascista.
Entre os presentes pela oposição estavam o capogruppo do M5S Riccardo Ricciardi e o deputado Francesco Silvestri. Pelo PD compareceram Gianni Cuperlo, Arturo Scotto, Marco Sarracino, Matteo Orfini, Laura Boldrini e o senador Filippo Sensi. Representando Avs estiveram Nicola Fratoianni, Angelo Bonelli e Filiberto Zaratti.
O clima era de alta tensão: um filtro discreto mas reforçado controlava os acessos a Piazza Montecitorio e a via del Vicario. Na sala de imprensa, a presença contínua dos parlamentares opositores transformou a campanha mediática prevista para hoje em um palco de resistência institucional. Furgiuele, apesar de ter cumprido o procedimento formal de reservar a sala, viu a realização da conferência inviabilizada pela ocupação.
Do ponto de vista prático, a Presidência da Câmara optou por cancelar todas as entrevistas e debates programados para evitar incidentes, apontando para a prioridade da ordem pública e da segurança daqueles que circulam pelas dependências parlamentares. Politicamente, a imagem permanece: um embate entre o direito de reunião política e a reação imediata da oposição, que interpretou a presença de movimentos de extrema direita como uma tentativa de normalizar pautas que, na visão dos opositores, colidem com os alicerces constitucionais da República.
Como repórter atento às tramas entre a decisão de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, registro que a ocupação na sala de imprensa funciona como uma ponte simbólica — um esforço para derrubar barreiras burocráticas que, segundo a oposição, tentavam abrir portas a iniciativas contrárias à memória democrática. Resta acompanhar os próximos passos: se a tática de bloqueio físico será replicada, qual será a reação institucional e como a justiça e as regras internas da Câmara interpretarão o episódio nas próximas semanas.






















