Firenze, berço do Renascimento, volta a ser palco de uma tentativa de redesenhar os alicerces da política italiana. De Dario Nardella nasce a plataforma batizada de La Proposta, que desenrolará seu roteiro público em dois dias de debate: sexta‑feira, 27, e sábado, 28 de fevereiro. O encontro acontece nas salas da Manifattura Tabacchi, sob o rótulo oficial de Manifattura delle idee. Un futuro per l’Italia e per l’Europa.
O objetivo declarado pelo anfitrião — eurodeputado e voz influente no Partito Democratico — é claro: transformar a narrativa política de uma denúncia contínua num projeto propositivo. “Queremos ter a ambição, como centro‑esquerda, de abandonar uma narrativa exclusivamente negativa do País e abraçar um pensamento propositivo”, afirmou Nardella, que quer a transversalidade como marca do encontro. A secretária do partido, Elly Schlein, participará por videoconferência amanhã no final da manhã.
Na pauta, temas que pesam na vida cotidiana e na construção de consenso: segurança e imigração aparecem lado a lado com economia, terceiro setor, meio ambiente e regras da democracia. “Vamos enfrentar assuntos, às vezes desconfortáveis, mas próximos das pessoas”, resumiu Nardella, reforçando a intenção de fazer da iniciativa uma ponte entre o Parlamento europeu, os governos locais e a sociedade civil — a construção de direitos passo a passo, tijolo por tijolo.
Protagonistas serão os administradores locais. Confirmaram presença três presidentes de Região: Eugenio Giani (Toscana); Michele de Pascale (Emilia‑Romagna), que abordará a questão da segurança; e Stefania Proietti (Umbria), que dialogará com mons. Andrea Migliavacca sobre o papel do terceiro setor e do voluntariado leigo e católico. Uma delegação ampla de sindaci também compõe a lista: Silvia Salis (Genova), Giuseppe Sala (Milão), Vito Leccese (Bari), Elena Carnevali (Bergamo), Luigi Vicinanza (Castellammare di Stabia), a prefeita de Florença Sara Funaro e Giacomo Possamai (Vicenza).
O encontro terá ainda alcance internacional: os prefeitos europeus Benoit Payan (Marselha) e Charis Doukas (Atenas) participarão, e haverá conexão direta com Kyiv para a fala do prefeito Vitalij Klyčko, a poucos dias do quarto aniversário da invasão russa — um testemunho que coloca a Europa e a segurança internacional na mesma mesa das políticas locais.
Entre vozes culturais e associativas, o escritor Gianrico Carofiglio abrirá um painel sobre referendo e justiça. Emiliano Manfredonia, presidente das ACLI, e Mons. Migliavacca dialogarão sobre o terceiro setor. Do mundo econômico virão Ettore Prandini (Coldiretti), Nico Gronchi (Confesercenti), Dario Costantini (CNA), Simone Gamberini (Legacoop Nacional) e Barbara Cimmino (vice‑presidente da Confindustria).
O debate sobre segurança e legalidade se enriquecerá com a experiência de Luciana Lamorgese, ex‑ministra do Interior, e do general Teo Luzi, ex‑comandante geral da Arma dei Carabinieri. Na sexta‑feira à tarde serão realizados 11 fóruns temáticos — economia, saúde, áreas internas, regras da democracia, ambiente, entre outros — introduzidos por nomes como Roberto Speranza, Michela Di Biase, Alberto Lo Sacco e Federico Gianassi, todos ligados ao projeto que Nardella já vinha desenhando desde o encontro de Montepulciano em dezembro.
Do ponto de vista de quem observa a intersecção entre decisões de Roma e vida real, a iniciativa pretende ser mais que um catálogo de propostas: ambiciona ser uma verdadeira obra de arquitetura política, onde cada proposta é um alicerce para derrubar barreiras burocráticas e construir pontes entre cidadãos, migrantes e instituições. Resta ver se o peso da caneta se traduzirá em mudanças práticas ou apenas em mais um documento a compor a paisagem pré‑eleitoral rumo a 2027.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia. Cobertura de política com rigor acessível: transformando estruturas complexas em ferramentas úteis para o cidadão.






















