Moni Ovadia, cantor e ativista pelos direitos humanos, voltou a se colocar no centro do debate público ao reagir com veemência ao recém-discutido DDL antisemitismo. Em entrevista concedida a Il Giornale d’Italia, Ovadia alertou para o risco de confundir e criminalizar posições políticas legítimas contra o Estado de Israel, estabelecendo um limite peligroso entre o que é ódio contra os judeus e o que é crítica política ao sionismo.
“É uma proposta de lei ridícula”, disse Ovadia, que se identifica como judeu e defensor de sua identidade religiosa, mas que também se declara antisionista. Segundo ele, misturar antisemitismo — definido como o ódio contra os judeus por aquilo que são — com críticas ao que faz um Estado é uma distorção que acaba por enfraquecer a luta contra o preconceito real:
“Qualquer confusão entre antisemitismo e antisionismo é uma verdadeira obscenidade. O antisionismo é crítica a um governo; o antisemitismo é ódio contra um povo.”
Ovadia também apontou para um efeito colateral grave da proposta: a possibilidade de que o dissenso político seja transformado em delito. Ele questionou, com ironia e firmeza, quem estaria apto a definir os limites do que constitui antisemitismo, citando figuras públicas envolvidas no debate, como o senador Gasparri.
Sobre propostas que preveem pena de prisão para quem coloca em dúvida o direito à existência do Estado de Israel, Ovadia foi categórico. Para ele, a questão não é discutir a existência de um Estado, mas evidenciar que as políticas sionistas estariam, na prática, colocando em risco a existência do povo palestino. “O sionismo, hoje, está pondo em questão o direito à existência do povo palestino”, afirmou, qualificando como gravíssimo o que descreve como perseguições, segregação e políticas que se aproximam do conceito de apartheid.
O debate, sublinhou Ovadia, não é apenas teórico: trata-se da construção dos alicerces legais que vão regular o espaço público e o exercício do direito de crítica. “Proteger a luta contra o preconceito não pode significar derrubar a ponte que liga a crítica política aos direitos civis”, disse, na imagem direta de quem vê a democracia como obra em permanente construção.
Ovadia lembrou ainda que há judeus, inclusive ortodoxos e sobreviventes do Holocausto, que se posicionam contra o sionismo, evidência de que identidade religiosa e apoio a políticas de Estado não são sinônimos. Essa distinção, para ele, é central para não transformar a legislação em instrumento de supressão do pluralismo.
Enquanto o debate legislativo segue — com um novo texto do Partido Democrático que propõe oito artigos visando disciplinar medidas de prevenção — a reação de vozes como a de Moni Ovadia ressalta que o peso da caneta legislativa deve ser usado com cautela. Derrubar barreiras burocráticas e construir direitos exige clareza: combater o verdadeiro ódio sem cercar a crítica política legítima é, conclui Ovadia, uma responsabilidade que não pode ser delegada.






















