Por Giuseppe Borgo — Em Roma, na Aula dos Gruppi da Câmara dos Deputados, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, realizou a tradicional conferência de início de ano com a imprensa, traçando um balanço do primeiro período de governo e apontando prioridades para 2026. O encontro, que durou cerca de três horas, foi uma espécie de visita aos alicerces da política externa e interna italiana, onde cada declaração tinha o peso da caneta sobre a construção de políticas públicas.
No capítulo internacional, Meloni descartou qualquer possibilidade de ação militar norte-americana para assumir controle da Groenlândia, ao mesmo tempo em que reclamou uma presença reforçada da NATO no Ártico para conter influências consideradas hostis. A primeira-ministra também defendeu que a União Europeia reabra canais de diálogo com a Rússia, argumento justificado pela necessidade de um papel europeu mais ativo nas negociações de paz sobre a guerra na Ucrânia. Ainda assim, avaliou como prematura a discussão sobre um eventual retorno de Moscou ao G8.
Na cena doméstica, Meloni reafirmou que a maioria parlamentar está disposta a aprovar a nova lei eleitoral mesmo sem um acordo com a oposição, se for necessário, enfatizando a urgência de concluir a reforma. Sobre o referendo da reforma da justiça, confirmou que as datas em estudo são 22 ou 23 de março, mantendo a possibilidade concreta de uma consulta popular já na primavera.
Ao responder perguntas, a primeira-ministra foi crítica em relação ao funcionamento do sistema judiciário, acusando-o de, por vezes, anular o trabalho do Parlamento e das forças de segurança com decisões que resultam em libertações ou em expulsões não executadas. Citou, a título de exemplo, que “há um provvedimento de libertação ainda não cumprido também em relação a Luigi Gasperin“. Por outro lado, saudou com “alegria” a libertação do cidadão italiano Biagio Pilieri das prisões venezuelanas.
No terreno das políticas sociais, Meloni voltou a tratar das pensões: contestou a narrativa de que o governo teria aumentado a idade de aposentadoria e explicou que, graças à intervenção do Executivo na lei orçamentária, foi limitado um aumento automático previsto por lei — que teria sido de três meses em 2027 — reduzindo-o a um mês e a zero para trabalhadores em atividades usurantes. Garantiu que “não há actualmente outros provvedimenti particulares” sobre o tema e reivindicou que as medidas adotadas vão ao encontro dos direitos dos trabalhadores e dos pensionados.
Sobre inquéritos envolvendo instituições financeiras, como o caso Mps-Mediobanca, Meloni afirmou não estar preocupada com as investigações em curso, sinalizando confiança nas instituições que fazem fiscalização e controle.
Em suma, a conferência de Meloni funcionou como um relatório público da gestão e um ensaio sobre a arquitetura das próximas batalhas políticas: reforçar a presença estratégica da Itália e da UE no tabuleiro internacional, ao mesmo tempo em que empurra por reformas internas — da lei eleitoral à justiça — que a maioria pretende erguer sem depender de acordos amplos. A aposta é derrubar barreiras burocráticas e construir, passo a passo, uma ponte entre decisões de Roma e a vida real dos cidadãos.






















