A presidente do Conselho, Giorgia Meloni, chegou a Tóquio para a segunda etapa de sua missão oficial na Ásia. A delegação italiana foi recebida pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Arfiya Eri, e pelo embaixador da Itália no Japão, Gianluigi Benedetti. Amanhã está marcado, no Kantei — residência oficial do governo japonês — o encontro entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e a chefe do Executivo italiano.
Em um editorial conjunto publicado no Corriere della Sera e no Nikkei, Meloni e Takaichi afirmam que Itália e Japão compartilham “princípios normativos e institucionais” que tornam possível o aprofundamento da cooperação bilateral e a ação conjunta na cena internacional para defender um “ordem internacional livre, justo e aberto”, numa conjuntura marcada por instabilidade, competição estratégica e impulsos revisionistas que desafiam regras partilhadas.
O diálogo entre Roma e Tóquio coincide com o 160.º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países. No texto, as líderes sublinham a ambição de “construir um futuro de segurança, paz, prosperidade e estabilidade” e destacam a convergência para reforçar o trabalho conjunto em fóruns multilaterais — do G7 às Nações Unidas —, em defesa de um sistema internacional baseado em regras e no Estado de Direito.
As duas mandatárias recordam que as relações formais foram iniciadas em 1866, numa fase em que o mundo mudava profundamente, e observam que hoje novas forças transformadoras — da revolução digital à transição energética, do avanço da IA à competição por recursos estratégicos — estão redesenhando a arquitetura global. “Nesse contexto, Itália e Japão podem ser protagonistas”, escrevem, apontando para uma responsabilidade partilhada na construção dos alicerces do futuro ordem internacional.
O editorial indica também um “salto de qualidade” nas relações bilaterais, elevadas em 2023 a Parceria Estratégica. Com o Piano d’Azione 2024-2027, afirmam, será desenvolvido um quadro de cooperação em áreas cruciais: robótica, tecnologias emergentes, espaço, energia limpa, mecânica, ciências da vida e indústria médica. A complementaridade entre os sistemas produtivos italiano e japonês é destacada como uma oportunidade para ampliar sinergias e atrair investimentos.
Entre os temas que recebem atenção especial estão a defesa e a natalidade — desafios que, segundo as líderes, exigem respostas eficazes por terem impacto direto no futuro das sociedades. Para um correspondente atento à vida dos cidadãos, como sou, esses pontos representam peças-chave na construção de políticas que toquem a realidade: segurança coletiva, proteção social e medidas de apoio às famílias reverberam nos lares, no mercado de trabalho e nas comunidades de imigrantes e ítalo-descendentes.
Do meu ponto de vista, como repórter que busca ser ponte entre as decisões de Roma e a vida cotidiana, o gesto político — o encontro no Kantei e o editorial conjunto — é mais do que protocolo: é a consolidação de uma ponte diplomática e econômica que pode derrubar barreiras burocráticas e abrir caminhos concretos a investimentos, mobilidade profissional e projetos de pesquisa conjuntos. A eficácia dessas promessas dependerá, contudo, da tradução em políticas internas e acordos executáveis, capazes de transformar intenções em benefícios palpáveis para cidadãos, trabalhadores e empresas.
A visita também reforça a agenda europeia e transatlântica de Roma, integrando-a a uma rede de parcerias que buscam responder às pressões de um sistema internacional em transformação. Em termos práticos, atenção especial deverá ser dada aos mecanismos de coordenação em segurança, ao estímulo a cadeias produtivas resilientes e a iniciativas que apoiem a recuperação demográfica e a integração social.





















