Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — Em Tóquio, o encontro entre a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e a premiê japonesa Sanae Takaichi misturou diplomacia formal e gestos simbólicos que fazem a ponte entre culturas e interesses estratégicos. A reunião ocorreu no dia seguinte ao 49º aniversário de Meloni, celebrado na capital japonesa, e começou com os cumprimentos de Takaichi, que abriu o diálogo desejando felicitações à chefe do governo italiano.
Como gesto de boas-vindas e da valorização dos laços culturais, Takaichi entregou a Meloni dois presentes: a mascote Tunku Tunku, criada para a Green Expo 2027, símbolo da harmonia entre humanos e demais formas de vida, e uma coleção de desenhos feitos por crianças japonesas. São sinais simbólicos que ajudam a edificar os alicerces de uma relação bilateral além da geopolítica, com um compromisso também cultural e humano.
O encontro foi oficialmente encerrado nas redes: a premiê italiana publicou no X um selfie sorridente ao lado de Takaichi e, em complemento, uma imagem gerada por inteligência artificial no estilo dos desenhos japoneses — o manga. O uso de uma ilustração em estilo pop expressa uma diplomacia contemporânea, que combina tradição e modernidade para dialogar com públicos diversos.
No plano geoestratégico, Itália e Japão reafirmaram “o compromisso de trabalhar juntos para garantir um Indo-Pacífico livre e aberto baseado no Estado de Direito”, conforme consta na declaração conjunta divulgada ao final do encontro. O documento ressalta a forte interconexão entre a segurança euro-atlântica e a segurança do Indo-Pacífico, destacando o objetivo de aproximar a visão do Indo-Pacífico livre e aberto à perspectiva de um Mediterrâneo global. Trata-se de erguer uma arquitetura de segurança que reconhece a correlação entre estabilidade regional e ordem internacional.
O texto oficial também registra que Takaichi recebeu com boa-vontade a previsão de visita de unidades navais da Marinha da Itália ao Japão ainda este ano, um gesto concreto que traduz cooperação militar e convívio entre forças aliadas.
Em tom pessoal, Meloni destacou a sintonia política entre as líderes e lembrou que ambas são as primeiras mulheres a comandar seus respectivos países — um fato que, segundo ela, é ao mesmo tempo “um grande honra” e “uma grande responsabilidade”. Para honrar esse papel, a premiê italiana citou um conceito japonês que a marcou: ganbaru. Explicou que o termo vai além de simplesmente “fazer o próprio melhor”; significa esforçar-se além dos limites, buscar superar conquistas e não se contentar com o status quo. “É esse espírito”, afirmou Meloni, “que deve orientar a ação no interesse dos nossos povos e na defesa das nações grandes, herdeiras de histórias importantes”.
O encontro em Tóquio revela como a diplomacia contemporânea se constrói com peças simbólicas — mascotes, desenhos infantis, imagens em manga — ao lado de compromissos estratégicos duradouros. Como repórter, vejo nesses gestos a tentativa de derrubar barreiras burocráticas e aproximar cidadãos de decisões que, apesar de assinadas em escritórios, moldam o cotidiano e a segurança coletiva. Meloni declarou ainda estar “extremamente orgulhosa” da oportunidade de aprofundar laços com a premiê japonesa e de conhecer melhor o Japão, reforçando a ponte entre as duas nações.






















