Em Seul, na etapa final de sua missão asiática, a primeira‑ministra Giorgia Meloni afirmou aos jornalistas que considerar um aumento de tarifas (dazi) contra países que enviaram tropas para reforçar a segurança da Groenlândia seria “um erro” e não é uma medida que ela compartilhe. A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas sobre a presença militar e influência estratégica no Ártico.
Meloni disse ainda ter mantido contatos diretos, incluindo conversas telefônicas com Donald Trump e com o secretário‑geral da OTAN, para esclarecer a situação. Segundo a premiê, houve “um problema de compreensão e comunicação” em relação à iniciativa de alguns países europeus — que, frisou, não deve ser interpretada com tom “anti‑americano”. “É preciso retomar o diálogo e evitar uma escalada”, afirmou, evocando a necessidade de construir pontes em vez de erguer barreiras.
Ela reforçou compartilhar a atenção dos Estados Unidos sobre o Ártico, descrevendo a região como “estratégica” e ressaltando a importância de evitar a interferência excessiva de atores potencialmente hostis. “Creio que, nesse sentido, deve ser lida a decisão de alguns países europeus de enviar tropas para reforçar a segurança”, disse Meloni, repetindo o que havia exposto em Tóquio. A metáfora é clara: na arquitetura da segurança internacional, disse a premiê, algumas intervenções são alicerces para a estabilidade, não ataques a aliados.
Na conferência de imprensa em Seul, Meloni anunciou também uma iniciativa diplomática sobre o conflito israelo‑palestino: a Itália fará parte do Board of Peace para Gaza. “Fomos convidados a participar. Penso que a Itália pode desempenhar um papel de primeiro plano e estamos prontos para contribuir na construção do plano de paz”, declarou. Segundo a premiê, o país tem sido “um ator muito ativo na região” e mantém “bons relacionamentos com todos os demais atores regionais”, fatores que justificam sua inclusão no grupo de coordenação.
Sobre a agenda interna, Meloni voltou a falar do novo decreto de segurança, lembrando que a segurança é um dos focos de 2026. Ela revelou ter se reunido, ainda antes do Natal, com o ministro do Interior Piantedosi para delinear um amplo provimento, com prioridades como o combate às baby gangs. “Pedi ao ministro que colhesse também as propostas da maioria. Estou convocando uma reunião ao meu retorno para fazer o ponto sobre o texto. Não sei se estará pronto para o próximo Conselho de Ministros”, agendado para a tarde de terça‑feira no Palazzo Chigi, “mas vamos certamente trabalhar nele”.
A missão asiática de Meloni incluiu paradas no Sultanato de Omã e no Japão. Em Seul, ela foi recebida na Seul Air Base pelo vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros Kim Jina, pelo embaixador da República da Coreia na Itália, Kim Choon‑Goo, e pela embaixadora italiana em Seul, Emilia Gatto. A Coreia do Sul representa a última etapa da viagem; na segunda‑feira, 19 de janeiro, Meloni será recebida pelo presidente Lee Jae‑myung para um encontro bilateral.
Enquanto as negociações sobre tarifas e segurança no Ártico ganham contornos mais sensíveis, o peso da caneta e das conversas diretas se mostra determinante. A premiê busca transformar mal‑entendidos em plataformas de diálogo — uma pequena reforma na construção dos alicerces diplomáticos que pode evitar uma escalada perigosa.





















