Uma visita oficial marcada por notas de pop e diplomacia. Em Seul, no encontro bilateral realizado na Blue House, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni enalteceu o trabalho de soft power da Coreia do Sul, destacando o papel do K-pop na aproximação cultural entre as nações e no crescimento do interesse mútuo. A viagem encerrou a missão asiática da chefe de governo, que antes passou por Omã e Japão, e é a primeira visita de um primeiro-ministro italiano ao país em 19 anos — a última havia sido em 1997, quando Romano Prodi ocupava o cargo.
Com a postura de quem observa a política como uma obra em construção, Meloni sublinhou que os laços entre Itália e Coreia do Sul são “longos, importantes e sólidos”, mas insistiu que há alicerces ainda a serem explorados para ampliar o comércio bilateral. “As nossas nações partilham valores, uma vocação para a criatividade e a inovação, mantendo-se ancoradas à tradição”, afirmou a primeira-ministra, acrescentando que esse terreno comum esconde “um potencial emespresso extraordinário”.
Na entrevista conjunta com o presidente Lee Jae-Myung, Meloni citou explicitamente a influência cultural como vetor prático de política externa: “Acredito que se pode trabalhar ainda mais para fortalecer o export coreano em Itália; é notável o trabalho de soft power que vocês fazem, sobretudo com o K-pop, algo que eu percebo no dia a dia porque minha filha é fã do gênero”. A referência revela como elementos culturais atuam como pontes na arquitetura das relações internacionais, derrubando barreiras burocráticas e facilitando trocas econômicas e humanas.
Lee, por sua vez, destacou a difusão da chamada “K-culture” como um dos motores do aumento do turismo entre os países: cerca de um milhão de cidadãos sul-coreanos visitam a Itália anualmente, segundo ele. O presidente agradeceu ainda a atenção de Roma em facilitar viagens — incluindo iniciativas como o incremento de audio-guides em coreano nos principais pontos turísticos italianos — o que tende a fortalecer o fluxo de visitantes e a demanda por produtos italianos.
Nos termos práticos da cooperação, Meloni apontou que a Coreia é o quarto parceiro italiano na Ásia e a primeira destino para o export italiano em termos per capita. Por essa razão, a nação foi incluída no Plano de Ação para o Export do governo italiano, um instrumento pensado para estruturar e ampliar canais comerciais, reduzir obstáculos regulatórios e aproveitar o momento favorável criado pelo interesse cultural.
Como correspondente atento às consequências concretas das decisões de governo, vejo na visita um movimento para reforçar alicerces econômicos e culturais: não se trata apenas de encontros protocolares, mas de traçar vigas que sustentem cadeia produtiva, turismo e intercâmbio tecnológico. O “peso da caneta” aqui se materializa em acordos que podem facilitar vistos, aumentar a presença de marcas italianas e promover trocas educativas e tecnológicas.
Em suma, a missão de Meloni à Coreia do Sul conjugou diplomacia tradicional e a compreensão da força suave do entretenimento contemporâneo. O resultado prático procurado por Roma é claro: transformar atenção cultural em oportunidades de mercado, solidificando uma parceria que, na visão da primeira-ministra, tem muito mais espaço para crescer.






















