Por Giuseppe Borgo — Em mais um ato da arquitetura das relações exteriores italianas, Giorgia Meloni desembarcou em Tóquio para um encontro bilateral com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. No centro da pauta, a decisão conjunta de elevar os laços diplomáticos a uma parceria estratégica especial e o compromisso público de trabalhar por um Indo-Pacífico livre, aberto e regido pelo estado de direito.
O encontro ocorreu no Kantei, sede do governo japonês, onde Meloni recordou que esta é a sua terceira visita ao Japão em apenas três anos de governo, um sinal da prioridade atribuída a Tóquio na construção dos alicerces diplomáticos de Roma. “Acreditamos muito nesta aliança, nesta cooperação e nesta amizade”, afirmou a líder italiana, renovando a vontade de aprofundar relações políticas, comerciais e estratégicas entre os dois países.
As duas chefes de governo anunciaram a elevação das relações bilaterais ao estatuto de parceria estratégica especial, um passo que formaliza os progressos previstos pelo plano de ação trienal 2024–2027. No comunicado conjunto divulgado ao final das conversações, Roma e Tóquio reafirmaram o compromisso de colaborar para garantir um Indo-Pacífico livre e aberto, reconhecendo também a interdependência entre a segurança euro-atlântica e a estabilidade na região indo-pacífica.
No plano simbólico e humano do encontro, houve momentos de diplomacia informal que traduzem a ponte cultural entre as nações: Takaichi presenteou Meloni por seu aniversário recente com uma mascote oficial da Expo 2027 e com desenhos de crianças japonesas. A primeira-ministra italiana compartilhou nas redes sociais um selfie estilo manga gerado por inteligência artificial, homenagem direta à cultura pop nipônica e ao diálogo soft power entre os países.
Ambas as líderes ressaltaram o significado de serem as primeiras mulheres a liderar seus respectivos governos, evocando o espírito japonês do ganbaru — a determinação para superar limites em serviço da nação. Esse aspecto pessoal complementou os temas de segurança, economia e tecnologia discutidos na agenda oficial.
Como correspondente atento à construção de políticas que impactam cidadãos, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes, vejo nessa visita não apenas um aperto de laços entre chefes de Estado, mas a colocação de blocos firmes na ponte que liga interesses europeus e asiáticos. A elevação para parceria estratégica especial deverá traduzir-se em mecanismos concretos de cooperação, desde investimentos industriais até intercâmbio tecnológico e coordenação em matéria de defesa e segurança marítima.
Num momento em que o cenário internacional enfrenta tensões e incertezas, o gesto diplomático em Tóquio é também uma tentativa de reforçar um conjunto de regras e garantias que protejam a ordem global. Roma e Tóquio, ao trabalharem lado a lado, procuram fortalecer os pilares que seguram a arquitetura do voto e da convivência pacífica entre nações.
Registro ainda que, fora da sala de reuniões, a leveza dos presentes e dos gestos públicos ajuda a construir uma imagem de confiança mútua, útil para derrubar barreiras burocráticas e facilitar acordos práticos que chegarão ao cotidiano dos cidadãos. A visita de Meloni a Tóquio reforça, portanto, tanto a diplomacia de alto nível quanto a construção de conexões que farão a diferença na vida real.






















