Como um levantamento sobre o ano de governo e uma projeção das prioridades para os próximos meses, a conferência anual de imprensa de Giorgia Meloni representou hoje uma radiografia das decisões de Roma e do alinhamento com aliados internacionais. Em estilo de ponte entre nações, a primeira-ministra passou em revista dossiês que afetam diretamente a vida dos cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes — da justiça às finanças, da saúde à segurança.
O encontro, realizado na Aula dos Grupos Parlamentares da Câmara, costuma ser um momento para desenhar os alicerces da ação governamental. No ano anterior, a sessão ultrapassou três horas, sinalizando que Meloni pode responder longa e detalhadamente sobre múltiplos processos em andamento.
Entre os temas de maior interesse público citados na conferência estão o possível referendo constitucional sobre a justiça, reformas institucionais — como o debate sobre a figura do primeiro-ministro e a lei eleitoral — e a autonomia diferenciada, além de outras reformas previstas até o final da legislatura. Haverá ainda perguntas sobre economia, impostos, trabalho, segurança, imigração e, sempre no centro do debate, a saúde pública.
Na frente externa, Meloni anunciou que, “entro este mês”, o Ministério dos Negócios Estrangeiros apresentará uma estratégia italiana para o Ártico. Segundo a chefe do Executivo, também a Itália tem consciência da importância estratégica da Groenlândia e pretende atuar para:
- preservar a ilha como zona de paz e cooperação;
- contribuir para a segurança regional;
- incentivar empresas italianas interessadas em investir;
- promover pesquisa científica;
- responder, em conjunto com aliados transatlânticos, a interferências de outros Estados.
Sobre a possibilidade de uma ação militar dos EUA na Groenlândia, Meloni foi categórica: “Eu não acredito na hipótese de que os EUA iniciem uma ação militar na Groenlândia, que eu não compartilharia“, disse, acrescentando que tal movimento “não convém a ninguém”. A premier citou que a hipótese de intervenção para assumir o controlo do território foi afastada por figuras como Marco Rubio e pelo próprio Donald Trump. Ainda assim, observou que a administração Trump, com métodos assertivos, está ressaltando a importância estratégica da região para os seus interesses e sua segurança, em um teatro onde atuam vários atores estrangeiros.
“A mensagem dos EUA é de que não aceitarão ingerências excessivas de atores estrangeiros”, resumiu Meloni, posicionando a Itália na lógica de cooperação atlântica e na construção de mecanismos diplomáticos para garantir a segurança do Ártico.
Em matéria interna, a primeira-ministra abordou a questão dos contratos laborais. Reconheceu que existe uma mesa de negociações aberta e defendeu a importância da renovação dos contratos, lembrando que o governo tem demonstrado preocupação com medidas de apoio. Ao mesmo tempo, sublinhou que a competência sobre a formalização de determinados contratos não cabe ao Executivo: “imagino que todos saibam que a competência do contrato não é do governo”, afirmou, criticando manifestações que se configuram como contestação direta ao presidente do Conselho em um momento institucional como a conferência anual.
Como repórter atento aos alicerces da lei e às necesidades cidadãs, registro que a conferência deixou claro o esforço do governo em erguer uma arquitetura de políticas externas e internas — uma construção de direitos e responsabilidades — mas também revelam as tensões entre expectativas públicas e limites institucionais. A guarda da ponte entre decisão pública e vida cotidiana continuará sendo testada à medida que os dossiers avançarem nos próximos meses.






























