A presidente do Conselho, Giorgia Meloni, voltou a condenar com veemência os confrontos ocorridos em Milão na noite anterior, classificando como inimigos da Itália aqueles que, segundo ela, se valem das manifestações contra as Olimpíadas para protagonizar atos de violência e sabotar a imagem do país.
Em publicação nas redes sociais, Meloni destacou que “miles e miles de italianos” trabalham para que tudo funcione durante os jogos, muitos como voluntários, movidos pelo desejo de que a Nação seja admirada. “Depois que outros cortaram os cabos da ferrovia para impedir os trens di partire”, acrescentou a chefe do Executivo, ela afirmou que são esses atos que acabam sendo exibidos nas televisões do mundo inteiro, prejudicando o esforço coletivo.
A líder também expressou solidariedade às Forças da ordem, à cidade de Milão e a todos aqueles cujo trabalho foi comprometido por “essas bandas de delinquentes” — e compartilhou um vídeo da emissora norte-americana Fox News que mostra imagens dos confrontos.
O ministro da Defesa, Guido Crosetto, reforçou a linha do governo em posts na plataforma X, agora palco central das declarações políticas. Crosetto ironizou uma postura que, em sua visão, relativiza a gravidade dos atos — como o corte de cabos ferroviários e a violência nos protestos — e acusou críticos de buscarem pretextos para limitar os poderes do Estado.
“Não são perigosos delinquentes”, escreveu Crosetto em tom irônico ao evocar episódios como manifestações em Turim, em que participantes tentaram agredir agentes com ferramentas. Para ele, a narrativa que minimiza essas ações serviria apenas para justificar uma resposta mais fraca do Estado e, assim, esvaziar a capacidade de proteção da sociedade: “Tollerarlo significa indebolire l’Italia, non la Meloni” — tolerar tais atos seria enfraquecer a República, não apenas um governo passageiro.
O ministro também questionou a falta de unidade pública em condenar atos violentos e defendeu que a reação do Estado seja pensada para proteger cidadãos e instituições. Citou, ainda, a “circolare Gabrielli” emitida após os acontecimentos na Piazza San Carlo, como exemplo de medidas firmes que deveriam nortear a atuação das autoridades.
Como repórter que acompanha a intersecção entre as decisões de Roma e a vida cotidiana, vejo nesta sequência de declarações um teste sobre os alicerces da lei: de um lado, a vontade de proteger a imagem internacional e a logística das Olimpíadas; do outro, as demandas por garantir espaço de protesto e por responsabilização dos violentos. A construção de direitos e a manutenção da ordem pública esbarram, mais uma vez, no peso da caneta e na necessidade de pontes claras entre governo, Justiça e sociedade civil.
O episódio expõe ainda uma questão prática: como evitar que atos isolados de vandalismo comprometam o trabalho de milhares de voluntários e servidores públicos? E como manter a coesão cívica — a arquitetura da comunidade — em momentos em que a polarização tende a transformar protestos em palco de confronto?
Enquanto o governo reforça o discurso de segurança, a discussão sobre limites, prevenção e responsabilidades seguirá no centro do debate público, com impacto direto sobre a experiência dos cidadãos durante os jogos e sobre a reputação internacional da Itália.






















