Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
O governo de Giorgia Meloni enfrenta um revés nas estatísticas sobre a repatriação de migrantes irregulares em 2025. Os números oficiais apontam para 6.772 retornos no ano, mas desse total 675 são repatrios voluntários assistidos — programas em que o estrangeiro aderente recebe apoio para reintegração no país de origem. Sem esses casos assistidos, o resultado efetivo cai para 6.097 expulsões forçadas.
Em termos comparativos, esses 6.097 colocam o governo Meloni abaixo de duas gestões anteriores: o executivo de Matteo Renzi em 2015 registrou 7.243 repatriados, enquanto o governo de Giuseppe Conte em 2019 alcançou 7.054. Por outro lado, o desempenho de 2025 supera 2022, ano de Mario Draghi, quando foram contabilizados 4.304 retornos — um aumento de cerca de 41% em relação a esse período.
O salto em relação a 2024 também é perceptível: foram declarados 5.414 repatriados naquele ano, de modo que 2025 representa um acréscimo de 12,62% (683 pessoas a mais). Ainda assim, o panorama estrutural permanece desafiador: estimativas apontam para cerca de 400 mil migrantes irregulares presentes no território italiano. Mantendo os ritmos de 2025, a Itália estaria repatriando em torno de 1,7% desse contingente por ano — um índice que, na prática, pouco altera o estoque total.
O dado mais baixo de expulsões na última década ocorreu em 2016, com 6.134 casos registrados. A lógica aqui é clara: sem reforçar os mecanismos administrativos e as parcerias internacionais, a arquitetura das políticas migratórias continua suportando pouco peso diante do desafio real.
Paralelamente aos números, seguem os episódios judiciais envolvendo ONGs e operações em alto-mar. O Tribunal de Catania, por exemplo, suspendeu o bloqueio de 15 dias à nave Sea Watch 5 após um resgate de 18 migrantes em águas libias, decisão que provocou reação da Lega. Em outro processo, o Tribunal de Palermo condenou o Estado a indenizar a ONG Sea Watch em mais de 76 mil euros pelo caso da Sea Watch 3 de 2019, quando a capitã Carola Rackete forçou o bloqueio e aportou em Lampedusa.
O ministro do Interior, Piantedosi, em vídeo no fim de dezembro, afirmou que o governo teria atacado as redes de tráfico nos países de origem, firmado acordos para criar oportunidades e ampliado canais regulares de entrada na Europa. “Foram quase 7 mil os repatriados este ano”, disse, reiterando o princípio de que “se entra na Itália apenas por canais regulares”.
Em resumo, os números traduzem uma realidade parcial: houve progresso em relação a 2022, mas, em comparação histórica, 2025 está aquém das metas mais ambiciosas já alcançadas. A construção dos direitos e a ponte entre nações exigem agora mais do que anúncios — exigem eficiência administrativa, acordos internacionais robustos e a capacidade de transformar o peso da caneta em resultados tangíveis para quem vive na Itália.






















