O Presidente da República, Mattarella, cumpriu uma visita de cerca de 40 minutos ao hospital Niguarda em Milão, onde estão internados alguns dos feridos da tragédia de Crans-Montana. A presença do chefe de Estado foi marcada por um tom humano e institucional, com foco no acompanhamento clínico e no apoio às famílias, numa espécie de construção de alicerces para o percurso de recuperação.
Durante a visita, Mattarella encontrou-se com os pacientes, os seus familiares e com o pessoal sanitário, deixando uma mensagem de proximidade e encorajamento. Acompanhavam-no o assessor de Welfare da Região da Lombardia, Guido Bertolaso, e o diretor-geral do hospital, Alberto Zoli. O Presidente dirigiu-se diretamente aos pais dos jovens internados com palavras de firme esperança: “Eles têm de conseguir. Devemos devolver-lhes uma vida plena”.
O tom da visita foi de reconhecimento ao trabalho clínico e de reafirmação da importância de um acompanhamento multidisciplinar no processo de recuperação. Mattarella agradeceu explicitamente aos profissionais de saúde: “Agradeço aos médicos pelo que fazem habitualmente e pelo que fizeram e estão a fazer nesta circunstância”, afirmou, valorizando o peso da responsabilidade que assenta na prática diária dos serviços de emergência e especialidades.
A reação dos familiares foi marcada pela emoção. O assessor Guido Bertolaso descreveu o momento como uma surpresa que trouxe alívio e conforto aos pais: “Foi uma alegria para os pais, que ficaram visivelmente emocionados. Todos foram tocados pela humanidade do Presidente”.
O Presidente fez questão de visitar, compativelmente com as condições clínicas, alguns doentes do Centro de grandes queimados, informando-se pormenorizadamente sobre o estado dos demais jovens internados. Conversou com médicos e enfermeiros, posou para fotografias com a equipa e os familiares e permaneceu atento às necessidades imediatas e aos caminhos terapêuticos a prosseguir.
Segundo atualização passada pela assessoria, “o decurso dos rapazes está a evoluir bem, tudo procede como esperávamos”, observou Bertolaso, expressando um otimismo cauteloso sobre o prognóstico clínico. É uma mensagem de esperança que, numa linguagem prática, pretende sustentar a confiança nas etapas de reabilitação que se seguem.
Como repórter e ponte entre as decisões públicas e a vida dos cidadãos, vejo nesta visita a construção de uma ponte simbólica: o Estado reafirma a sua responsabilidade nos momentos em que o peso da caneta se transforma em apoio concreto. A presença do Presidente no Niguarda não retira a necessidade de assegurar recursos, acompanhamento psicológico e planos de reabilitação a longo prazo — são os alicerces que permitirão devolver aos jovens uma vida com a maior autonomia possível.
O encontro ficará registrado como um gesto institucional significativo para o hospital e para as famílias, que esperam agora pela continuidade das terapias e pelo acompanhamento dos percursos de recuperação. A jornada que começa no leito hospitalar terá passos longos e coordenados, e a sociedade civil precisa acompanhar essa reconstrução com a mesma atenção que o hospital e as famílias demonstraram até aqui.






















