ROMA — No 229º aniversário da criação do Tricolore, o Presidente da República, Sergio Mattarella, reafirmou o papel central da bandeira como símbolo dos alicerces da nação e da vida cívica italiana. Em declaração oficial, Mattarella recordou que o Tricolore surgiu em 1797 na República Cispadana e, atravessando a epopeia do Risorgimento, tornou‑se em 1861 a bandeira do Reino da Itália. Escolhida pelos Constituintes como estandarte do novo Estado republicano, hoje encarna os valores consagrados pela Constituição: unidade, liberdade, democracia e coesão social.
O chefe do Estado destacou que, como emblema da República, o Tricolore marca a identidade italiana em múltiplos cenários — das missões de paz das Forças Armate às representações diplomáticas no exterior, passando pelas competições desportivas. “Todos os italianos olham com amor e respeito para a nossa Bandeira: nela se refletem a nossa história comum e os fundamentos da nossa civilização; nela se reconhece a nossa comunidade nacional”, afirmou Mattarella. “Viva il Tricolore, viva la Repubblica”, concluiu.
Para além do gesto simbólico, a declaração do Presidente convoca uma reflexão prática sobre o peso da caneta e a arquitetura do voto: a bandeira recorda que a construção de direitos e a manutenção da coesão social dependem de instituições fortes e do respeito pelas regras. Em particular para os cidadãos italianos no exterior, imigrantes e descendentes, o Tricolore funciona como ponte entre nações, mantendo viva a pertença cultural e cívica.
A Presidente do Conselho, Giorgia Meloni, também ressaltou a importância histórica do estandarte nacional, lembrando os que, ao longo dos séculos, lutaram com coragem pelas liberdades que hoje a bandeira simboliza.
Num país marcado por debates intensos sobre identidade, migração e distribuição de recursos, o apelo presidencial para reconhecer o papel unificador do Tricolore assume caráter prático: afirmar os símbolos republicanos é também reafirmar compromissos com a justiça social e com a inclusão, pilares para assegurar a coesão social num tempo de turbulências políticas e económicas.
Como repórter e observador atento às decisões de Roma e à vida das comunidades italianas no mundo, considero esse pronunciamento um lembrete de que os símbolos nacionais não são meras imagens, mas ferramentas de cidadania. Eles unem memória e responsabilidade, servindo de referência quando é preciso derrubar barreiras burocráticas ou reconstruir pontes entre autoridades e sociedade civil.































