Em uma visita marcada pela proximidade institucional e pelo gesto simbólico, o Presidente da República, Mattarella, esteve hoje em Niscemi, o município do nisseno fortemente atingido pelos movimentos de terra ocorridos em janeiro. A deslocação teve como objetivo manifestar apoio às famílias — cerca de 1.500 pessoas — que foram removidas e vivem fora da chamada zona vermelha.
O roteiro do Chefe de Estado, descrito pelas autoridades locais como curto, porém intenso, começou com um sobrevoo em helicóptero sobre a área do deslizamento para avaliar a dimensão dos danos. Na sequência, Mattarella deslocou-se à praça principal, em frente à Prefeitura, onde encontrou os responsáveis das forças de ordem, dos Vigili del Fuoco e da Proteção Civil, que coordenam a emergência.
Acompanhado pelo chefe da Proteção Civil e comissário extraordinário, Fabio Ciciliano, e pelo prefeito Massimiliano Conti, o Presidente fez um sopralluogo até o belvedere nos limites da área interditada. Coincidentemente com a visita, teve início o pagamento dos primeiros 78 auxílios de aproximadamente 800 euros por família, destinados às cerca de 800 famílias cujas residências ficaram inacessíveis.
No encontro com habitantes e desalojados, Mattarella ouviu depoimentos carregados de perda e memória. Uma moradora cuja casa fica a poucos metros da crista da encosta relatou o diálogo com o Presidente: “O presidente Sergio Mattarella me disse ‘trabalhemos juntos’. Eu disse que minha casa está a 20 metros do abismo e que perdi tudo — minha casa, minha identidade, meus pertences pessoais. Ele me deu muita coragem. Foi uma emoção imensa”.
Palavras de conforto também foram dirigidas ao arquiteto Roberto Palumbo, cujo imóvel desabou nos dias seguintes ao evento de 25 de janeiro. Palumbo declarou estar ainda emocionado: “O presidente me disse ‘estamos pensando em vocês’. O fato de terem destinado 150 milhões de euros é já um passo importante para nós”.
Um momento significativo ocorreu na escola municipal Mario Gori, que acolhe temporariamente os alunos do instituto Salerno, declarado inabitável. A dirigente escolar, Licia Salerno, destacou a atenção do Presidente às crianças: “No início tive dificuldade em acreditar. Senti muita estima pelo nosso Presidente; tinha certeza de que viria nos visitar. Foi uma grande emoção. Sempre muito humilde, esteve próximo. Perguntou sobretudo sobre as crianças: como estão, como as estamos ajudando e o que temos feito para tornar esse momento o menos traumático possível. Ele nos desejou bom trabalho e elogiou o que foi feito até aqui”.
Ao dirigir-se diretamente aos cidadãos que tiveram de abandonar suas casas, Mattarella sublinhou a compreensão pela gravidade da situação: “Sei que é difícil nestas condições, eu entendo. Aqui havia a vossa vida, os vossos afetos”. A declaração reforçou a ideia de que a presença do Estado pretende ser mais que palavra: um compromisso prático na construção de direitos e na reconstrução dos alicerces de uma comunidade afetada.
Como repórter atento às conexões entre as decisões de Roma e o dia a dia das pessoas, registro que a imagem do Presidente sobrevoando as fraturas do terreno funciona como metáfora — a necessidade de erguer pontes que liguem as respostas institucionais à urgência das famílias. Resta agora acompanhar a efetividade das medidas anunciadas e a velocidade com que os auxílios e intervenções técnicas chegarão a quem perdeu não apenas bens, mas também referências.
Esta visita reforça a obrigação do poder público de transformar palavras em projetos concretos: estabilização do terreno, segurança das moradias remanescentes, apoio social e reconstrução das escolas — os alicerces para devolver normalidade e dignidade a uma comunidade ferida.





















