Em homenagem ao centenário do nascimento de Vittorio Bachelet, o Presidente da República, Sergio Mattarella, destacou o valor público do seu percurso intelectual e cívico. Para o chefe de Estado, a República reconhece a contribuição de Bachelet tanto como jurista quanto como educador e dirigente associativo, cuja trajetória ajudou a erguer alicerces firmes para a vida democrática italiana.
Mattarella recordou que Vittorio Bachelet soube conciliar a paixão pela pesquisa e pelo ensino com uma atuação social constante: primeiro na Federação Universitária Católica Italiana e depois na Azione Cattolica. Segundo o Presidente, o método de Bachelet sempre privilegiou o confronto e a conciliação — atitudes difíceis de praticar nos anos marcados pela conflitividade e pelas violências políticas.
Na visão presidencial, o magistrado interpretou as funções institucionais e associativas à luz dos ideais de democracia e pluralismo. O diálogo, para Bachelet, era não apenas um princípio acadêmico, mas uma ferramenta vital para proteger o bem comum e fortalecer a coesão social — uma verdadeira ponte entre instituições e cidadania.
Como vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM), Bachelet trabalhou para que fosse o próprio ordenamento democrático a derrotar a ameaça colocada pelo terrorismo à convivência civil do país, sem recorrer a medidas extraordinárias. Mattarella sublinhou que ele sempre fez apelò aos princípios constitucionais que sustentam a função jurisdicional, afirmando que a força da lei e dos procedimentos é o mais firme alicerce contra a violência.
Na presidência da Azione Cattolica, Bachelet empenhou-se em valorizar o papel dos laicos nas atividades da Igreja, em consonância com as orientações do Concílio Vaticano II. Como docente em Roma, no campus da La Sapienza, formou gerações de estudantes que receberam seus ensinamentos com a convicção de que a cultura é instrumento eficaz para combater a opressão e a prepotência.
Tragicamente, foi assassinado de forma vil em 12 de fevereiro de 1980, ao término de uma aula na Universidade de Roma. Mattarella conclui que a República permanece grata a Vittorio Bachelet pelo seu trabalho e pelo exemplo que deixou: uma lição sobre como a construção dos direitos civis e a defesa das instituições passam pela coragem da palavra, pela solidez das leis e pela persistência no diálogo.
Como repórter atento à arquitetura do Estado e às vidas que ela sustenta, registro que a memória de Bachelet continua a ser um ponto de referência para quem constrói políticas públicas e para cidadãos que não abrem mão do debate como cimento da convivência democrática.






















